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Caso Juan: Tiros foram disparados por fuzil de PM

Caso Juan: Tiros foram disparados por fuzil de PM

Atualizado: Quinta-feira, 14 Julho de 2011 as 12:27

Local que Juan foi baleado     O laudo de confronto balístico feito por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli nos dez fuzis calibre 7.62 apreendidos com os policiais do 20º BPM (Mesquita) envolvidos no sumiço do menino Juan Moraes Neves, de 11 anos, na Favela Danon, em Nova Iguaçu, atesta que todas as cápsulas encontradas no beco onde ocorreu o suposto confronto foram disparadas pelo cabo Edilberto Barros do Nascimento, de 43 anos.

O subcomandante operacional do 20ºBPM, major Caetano, depôs ontem na Delegacia de Homicídios da Baixada. Os investigadores queriam saber se a operação realizada na Favela Danon no dia do sumiço do Juan (20 de junho) havia sido autorizada pelo comando do batalhão. O conteúdo das declarações do oficial não foi revelado. Além de Edilberto, participaram diretamente da operação que resultou no sumiço de Juan os PMs Isaias Souza do Carmo, Rubens da Silva e Ubirani Soares. Os quatro já se envolveram em pelo menos 37 autos de resistência (mortes de suspeitos em confronto com a polícia). Edilberto também é réu num processo de homicídio que inicialmente foi registrado como auto de resistência.

PM vai monitorar autos de resistência O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, anunciou ontem que, a partir de agora, todos os autos de resistência serão analisados e farão parte de banco de dados da Corregedoria da corporação. O Plano de Acompanhamento de Autos de Resistência será um conjunto de procedimentos a serem adotados por vários setores da PM para monitorar essas ocorrências.

— Precisamos saber distinguir onde está a legítima defesa e onde está o simples descuido com a vida humana — afirmou o comandante, na cerimônia de inauguração das novas dependências da Corregedoria da PM, em Neves, São Gonçalo.

A Corregedoria da corporação instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos policiais envolvidos na operação na Favela Danon. O IPM foi instaurado porque a sindicância preliminar do 20 BPM não conseguiu definir uma linha de investigação para o caso.

O fato de haver indícios de crime militar — não apenas pelo desaparecimento e morte de Juan, como a lesão corporal provocada em seu irmão, W., de 14 anos — embasou a abertura do IPM.

Memória: o caso Juan A operação de policiais do 20º BPM (Mesquita) na Favela Danon, em Nova Iguaçu, ocorreu em 20 de junho. Na ocasião, Igor de Souza Afonso, de 17 anos, suspeito de envolvimento com o tráfico, foi morto supostamente ao trocar tiros com os PMs. Também foram baleados Wanderson dos Santos de Assis, 19 anos, e W., de 14, irmão do menino Juan Moraes Neves, de 11, que desapareceu após a incursão da PM na comunidade. Acusado pelos PMs de ter participado do confronto, Wanderson ficou algemado à cama do hospital por cinco dias, e só foi solto após ter a prisão revogada pela Justiça.

Após terem alta hospitalar, Wanderson e W. foram incluídos em programas de proteção à testemunhas, bem como suas famílias.

A perícia no beco onde ocorreu o suposto confronto só foi feita oito dias depois. Os restos mortais de Juan foram achados num rio em Belford Roxo, em 30 de junho. Na ocasião, uma perita disse que se tratava de uma menina. A confirmação de que era mesmo Juan saiu após dois exames de DNA.

Os quatro policiais militares que participaram da operação foram afastados das ruas.          

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