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Ceará: Alimentação de qualidade vira questão social

Ceará: Alimentação de qualidade vira questão social

Atualizado: Sexta-feira, 18 Setembro de 2009 as 12

A alimentação de qualidade, que antes era preocupação apenas das famílias, hoje, passou a ser uma questão social. O tema está sendo debatido, durante esta semana, no XX Congresso Brasileiro de Economia Doméstica, em Fortaleza (CE).

A hora de comer deixou de ser preocupação das famílias para se tornar uma questão social. O consumo de alimentos que fazia parte das escolhas da esfera privada agora coloca-se nas discussões da esfera pública. A afirmação foi feita, ontem, pela economista doméstica e diretora de Relações Internacionais da Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Mabel Cordini, durante o XX Congresso Brasileiro de Economia Doméstica, que está sendo realizado desde a última segunda, em Fortaleza.

''No mundo inteiro, essa questão está transcendendo o dia-a-dia das famílias'', afirmou Mabel, ao referir-se sobre a segurança alimentar. No Brasil, segundo Helena Selma Azevedo, professora do curso de Economia Doméstica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará (Consea), desde 2006, com a criação da Lei de Segurança Alimentar e Nutricional, os debates sobre políticas públicas tornaram-se mais frequentes na tentativa de encontrar soluções para o problema.

E o foco não é apenas nas pessoas que sofrem com a fome, mas também nas famílias que se alimentam com baixo teor nutricional. ''A segurança alimentar não é só comer. Tem que ter acesso a alimentos de qualidade'', destacou. Conforme explicou Helena Selma, a busca por alimentos sem valor nutricional deve-se à grande quantidade de propagandas de produtos industrializados e, principalmente, à pressa das pessoas ao preparar os alimentos. ''A economia de tempo durante as refeições mudou muito os hábitos dos brasileiros'', disse.

Prova disso, de acordo com a professora, é a queda no consumo de feijão. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o consumo per capita de feijão, nos últimos 40 anos, apresenta uma tendência decrescente de 1% ao ano, apesar de haver oscilações entre os períodos. Para Helena Selma, é a tendência de uma sociedade que imita o modelo de comer americano, consumindo comida rápida.

Helena Selma ressaltou ainda que a falta de consumo de alimentos com alto valor nutritivo aumenta a quantidade de doenças, tornando-se uma questão de saúde pública. ''Toda a mudança na alimentação aumentou o câncer, a prisão de ventre, a hipertensão, o diabetes'', enumerou. Para ela, o problema da segurança só será resolvido se a população se apropriar do debate.

A lei

>Todos têm direito a uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. As políticas de promoção de segurança alimentar e nutricional devem se basear em práticas alimentares promotoras da saúde, respeitando o meio ambiente e a cultura de cada região.

> Insegurança alimentar não é apenas a falta de comida e água. Doenças e variações prejudiciais de peso decorrentes da má alimentação; bem como inadequações nos modos de produção, distribuição, comercialização e consumo dos alimentos também fazem parte das condições de insegurança.

Dicas

>As famílias podem melhorar a qualidade da alimentação a partir de mudanças nos hábitos da casa. O consumo de frutas, verduras, legumes e cereais deve ser incentivado.

> O ideal é consumir quatro porções de frutas durante o dia. No almoço, quanto mais colorido for o prato, maior valor nutritivo ele tem.

> O consumo de alimentos sem valor nutricional deve ser evitado. Além de fazer mal à saúde, sai mais caro, pois se paga por algo que não tem nenhum valor.

> Toda a família deve se unir na preparação dos alimentos: pais, mães e filhos. Também é interessante que todos se reúnam para saborear a comida.

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