Ceará: Idosos sofrem com barreiras arquitetônicas

Ceará: Idosos sofrem com barreiras arquitetônicas

Atualizado: Quinta-feira, 1 Outubro de 2009 as 12

Com calçadas disformes, buracos, escadas inadequadas, ausência de corrimãos e rampas irregulares, o espaço público não oferece infraestrutura adequada para aqueles que possuem 60 anos ou mais. Na verdade, como classificam os especialistas, essas características se apresentam como ''barreiras arquitetônicas'' para quem, com a idade, apresenta a mobilidade reduzida. Hoje, quando se comemora o Dia Internacional do Idoso, o Diário do Nordeste traz especialistas para ajudar a pensar a estrutura ideal do ambiente urbano para eles.

Afinal, dos 18 milhões de idosos - que representam 10% da população brasileira, conforme os Indicadores Sociais de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - 10,4% ou 16.547 residem nas áreas urbanas. No Ceará, por exemplo, segundo a pesquisa, havia, com base nos dados de 2007, 880 mil idosos. Para se ter ideia, a questão da acessibilidade para esse público é agravada pelo fato de existirem 284.736 pessoas que, segundo o IBGE, apresentam alguma dificuldade permanente de caminhar ou subir escadas no Ceará.

Com o passar dos anos, como acentua a terapeuta ocupacional e especialista em Neurofisiologia Ana Paula Morais Braga, os idosos tendem a reduzir a mobilidade, sobretudo pelo aparecimento de doenças, como artrite, artrose e osteoporose. ''Pela própria fisiologia, eles têm dificuldades na mobilidade: os passos são curtos, arrastados e lentos'', descreve. Por isso mesmo, reforça a coordenadora do curso de Especialização em Gerontologia da Unifor, Euciana Bezerra, ''a cidade precisa apresentar acessibilidade para manter a autonomia, a independência e a funcionalidade da sua população idosa''.

Ana Paula detalha que as calçadas não podem ter desníveis, já os meios-fios devem ser rebaixados. As rampas das garagens das casas, por sua vez, não podem estar nas calçadas, pois contribuem para tornar os passeios desiguais. As escadas precisam ter altura e largura adequadas, não serem em espirais e terem corrimãos. E os buracos devem ser retirados dos passeios. ''O poder público tem de pensar mais nessas pessoas. Até porque essas barreiras são problemas para grávidas, idosos, baixos, obesos, todos que, de alguma forma, fogem dos parâmetros. Os idosos são os que mais sofrem no Brasil''.

De acordo com Euciana Bezerra, as cidades precisam ser acessíveis até mesmo pelo fato de, com o envelhecimento, a audição e a visão ficarem comprometidas. Assim, as soluções precisam ser pensadas agora para que, no futuro, os jovens de hoje não encontrem os mesmos problemas e não acabem sendo excluídos socialmente. ''Muitos idosos não saem de casa porque não têm a acessibilidade adequada'', critica a professora.

Acessibilidade

Os representantes dos governos municipal e estadual reconhecem que há problemas na acessibilidade dos idosos. Porém, como antecipam, projetos e ações estão sendo desenvolvidos para garantir que o direito de ''ir e vir'' das pessoas com mobilidade reduzida seja assegurado, conforme o Decreto Federal nº 5.296/2004, que dispõe sobre a garantia de acessibilidade nos espaços de uso público coletivo.

No âmbito estadual, Fátima Catunda, titular da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), antecipa que uma das ações será lançada hoje, 1º, em comemoração ao Dia Internacional do Idoso. Por meio do Gabinete da Primeira-dama, Maria Célia Habib, o Estado contará com o ''Guia de Acessibilidade: Espaços Públicos e Edificações''. Segundo Fátima, feito em conjunto com a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), a Associação Técnico-científica Engenheiro Paulo Fontin (Astef) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), a publicação servirá de base para a elaboração de políticas a fim de proporcionar acessibilidade em ambientes públicos e edificações.

Além disso, Fátima Catunda comenta que os prédios públicos estaduais foram mapeados para que sejam feitas interferências nessa perspectiva. ''O governo do Estado já fez adaptações no prédio da STDS''.

Quanto à Fortaleza, o coordenador do Programa de Transporte Urbano, Daniel Lustosa, afirma que, até o fim de 2010, a população poderá usufruir dos benefícios da primeira etapa do Transfor. Como descreve, baseando-se no conceito de acessibilidade universal, o programa dará à Capital cearense, por exemplo, 144 quilômetros de calçadas padronizadas lineares e mais largas. Lustosa antecipa que os terminais de ônibus também serão reformados.

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