Ceará: Transplantes crescem 62,5%

Ceará: Transplantes crescem 62,5%

Atualizado: Quarta-feira, 30 Setembro de 2009 as 12

Capacitação contínua de profissionais que possam identificar possíveis doadores de órgãos dentro dos hospitais, ações conjuntas com associações de pacientes, sensibilização nas escolas e solidariedade da população. Essas são características que fazem do Ceará o estado com o maior salto no número de transplantes realizados com órgãos de doador morto no País.

Somente no primeiro semestre deste ano, o número relativo a esse tipo de transplante saltou de 72 para 117, o que representa um crescimento de 62,5%. Para se ter uma idéia dessa realidade, ontem, nove pessoas foram beneficiadas com órgãos de falecidos em todo o Estado. Duas famílias foram responsáveis por tamanha felicidade. Uma delas é a da estudante Vanessa Mustafa de Paula, de 23 anos, atropelada em um acidente de trânsito ocorrido na última quinta-feira, 24 de setembro. As córneas, os rins, o coração e o fígado foram transplantados na madrugada dessa terça-feira. Uma outra família, de um homem de 57 anos, doou os rins e o fígado.

Para a coordenadora da Central de Transplantes, Eliana Barbosa, esses números tendem a aumentar com as capacitações previstas para um futuro breve. A exemplo, ela cita a situação de Sobral, que é um município com grande potencial, mas que não contava com profissionais que identificassem esses doadores. ''Treinamos em média 50 profissionais no curso, e desde abril, já tivemos sete doadores somente de Sobral'', informa.

Outra área que deve ser beneficiada com o curso ainda este semestre é a região do Cariri. A coordenadora destaca que o preparo dos profissionais possibilita identificar com mais propriedade os potenciais doadores, fechar o diagnóstico, além de orientá-los na abordagem correta às famílias.

Ela explica que a morte encefálica possibilita a doação de todos os órgãos. ''Os motivos principais dessa falência são o traumatismo crânio-encefálico (TCE), o acidente vascular cerebral (AVC) e a anoxia cerebral. Embora a morte do cérebro já tenha sido diagnosticada, o coração ainda permanece batendo por algumas horas e continua a irrigar os demais órgãos'', acrescenta Eliana.

Já a falência cardíaca só permite doar os tecidos, que compreendem as córneas, as válvulas cardíacas, os ossos e a pele. Ela lembra que para ser um doador de órgãos e tecidos não é preciso deixar nada por escrito, apenas conversar sobre esse desejo com a família. Inclusive, o slogan da nova campanha do Ministério da Saúde aborda justamente essa questão: ''A vida é feita de conversas. Basta uma para salvar vidas''.

Superação

Com os novos registros, aumenta para 520 o total de transplantes realizados no Ceará este ano. Esse número já é superior à quantidade de transplantes feitos em todo o ano de 2006. Até ontem, havia 1.130 pessoas no Ceará aguardando por doações de órgãos e tecidos.

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