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Celular e elevador salvaram ajudante de obras de desabamento no Rio

Celular e elevador salvaram ajudante de obras de desabamento

Atualizado: Quinta-feira, 26 Janeiro de 2012 as 11:13

“Foi esse telefone que me salvou”, disse o ajudante de obras Alexandro da Silva Fonseca Santos, de 31 anos, mostrando o celular que tocou assim que ele saiu do Hospital Souza Aguiar, após receber alta pouco depois das 9h desta quinta-feira (26).
Alexandro é um dos sobreviventes dodesabamento de três edifícios no Centro do Rio de Janeiro, na noite de quarta-feira (25). Três feridos permanecem internados.

“Quando olhei pela janela, comecei a ver o reboco caindo. A primeira coisa que pensei foi entrar no elevador”, contou Alexandro, que trabalhava em uma obra no nono andar do Edifício Liberdade, no número 44 da Avenida Treze de Maio. “Quando entrei, o elevador despencou. Só pensava na minha família, e que fosse morrer”, recorda.

De dentro do elevador, Alexandro conta que ligava para um amigo, que estava fora do prédio. “De dez em dez minutos eu falava com ele”, lembra. “Até que ele me colocou para falar com um dos bombeiros”, acrescenta. O ajudante de obras levou duas horas até ser resgatado. “Não tive um machucado, nem um arranhão”, disse na saída do hospital.
Ajudante diz que havia mais quatro pessoas no prédio
O ajudante de obras conta que, por volta das 21h de quarta-feira, chegava ao nono andar do edifício, onde trabalhava em uma pintura. “O prédio parecia estar desmanchando. Começou a cair de cima para baixo”, recorda, antes de voltar correndo pra dentro do elevador.

Alexandro diz se lembrar de mais quatro pessoas dentro do edifício, no momento do desabamento: dois colegas de trabalho, que estavam junto com um zelador do edifício, no térreo, além de outro zelador, que mora, segundo ele, no 18º andar. “Já falei com meus amigos, e eles estão bem. Mas não sei como estão os zeladores”, disse.

“Os bombeiros gritavam: ‘Tem alguém aí?’ E eu respondia, de dentro do elevador: ‘Estou aqui!’”, conta Alexandre. “Quando me acharam, cortaram um ferro na parte de cima do elevador. Eu, que sou magrinho, consegui sair por ali”, recorda. “Quando me pegaram, já me deram uma máscara para eu respirar melhor. Eu estava calmo”, complementa.

Alexandro afirmou que não sentiu cheiro de gás em nenhum momento durante o tempo em que participou da obra no nono andar. “Também não ouvi nenhum explosão, somente o barulho do prédio caindo”, acrescentou. “É difícil explicar o que aconteceu”, disse. “Eu pedi muito a Deus. Orei muito. Tenho quatro filhos e minha esposa, e agora só quero abraçá-los. Além do meu aniversário, no dia 13 fevereiro, agora tenho que comemorar o dia de ontem, quando nasci de novo”, concluiu com um sorriso.

Morte
As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros encontraram os primeiros corpos na manhã desta quinta-feira. De acordo com a corporação, a vítima é um homem, ainda sem identificação. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

Buscas
De acordo com o Corpo de Bombeiros, 60 homens de quatro quartéis realizam as buscas por desaparecidos no local do desabamento. As equipes contam, ainda, com o apoio de quatro cães farejadores e máquinas como retroescavadeiras e pás mecânicas.

Para facilitar o trabalho das equipes da Prefeitura do Rio e do Corpo de Bombeiros em busca de vítimas, trechos de ruas da região permanecerão fechadas nesta quinta-feira (26). Já as estações do metrô no Centro, que haviam sido fechadas na quarta-feira, funcionam normalmente desde as 5h. A Prefeitura pede que a população evite o local para facilitar a atuação das equipes.

Feridos
Três vítimas que seguem internadas no Hospital Souza Aguiar. As informações são da Secretaria municipal de Saúde. Segundo o órgão, o quadro mais grave é o de uma mulher, que teve lesão no couro cabeludo e passou por uma cirurgia.

Uma outra vítima também foi levada para o hospital, mas já foi liberada. O homem, identificado apenas como Francisco, não estava dentro de um dos prédios, mas ajudava os bombeiros no resgate e sofreu um corte.

Um zelador e um operário, que estava dentro de um elevador, estão entre as vítimas retiradas com vida dos escombros. As informações são do coronel Sérgio Simões, secretário estadual de Defesa Civil. Ainda de acordo com o coronel, as buscas se concentram em dois pontos sinalizados com a ajuda de cães farejadores.
No início da madrugada, parentes reunidos na porta do hospital procuravam desaparecidos que estariam nos prédios.

Interdições
Os trechos fechados, segundo o Centro de Operações Rio, são Avenida Treze de Maio, onde houve o desabamento, Avenida Almirante Barroso entre Avenida Rio Branco e Senador Dantas. Já a Rua Senador Dantas vai funcionar com mão invertida entre Avenida Almirante Barroso e Evaristo da Veiga. Para esta operação, agentes de trânsito trabalharão nos bloqueios com apoio de 10 painéis informativos. Veículos que vêm da Cruz Vermelha e da Avenida República do Chile deverão seguir pela Rua Senador Dantas, que estará com a mão invertida.

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