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Cemitério estima que 6 mil passem pelo velório de Wando, em Belo Horizonte

Cemitério estima que 6 mil passem pelo velório de Wando

Atualizado: Quinta-feira, 9 Fevereiro de 2012 as 11:17

A administração do Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte, onde o corpo do cantor Wando é velado na manhã desta quinta-feira (9), disse que cerca de seis mil pessoas devem passar pelo local até as 11h. A estimativa considera as visitas desde o início do velório, no fim da tarde desta quarta-feira (8).

Um princípio de confusão na fila do público foi registrado na manhã desta quinta-feira (9). A administração precisou organizar a fila. A circulação próxima ao caixão foi restrita a três pessoas por vez. A família do cantor pede que os fãs não cantem, porque a mulher de Wando, Renata Costa Lana e Souza, está muito abalada. Mesmo com o pedido, algumas fãs ainda cantam os sucessos de Wando no velório. O corpo do músico será enterrado às 11h.

O padre Jefferson Lima, amigo da família pediu a todos que façam orações pela família do cantor. “Fica a imagem do pai, do amigo, do irmão e do companheiro", disse.

Coroas de flores enviadas pela cantora Cláudia Leitte, pelo governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, pelos senadores Aécio Neves (MG) e Fernando Collor (AL), e pela atriz mineira Gorete Milagres estão entre as assinadas por amigos e pela família de Wando.

Um grupo de 20 mulheres, participantes de um fã clube de Wando, cantaram músicas de sucesso do cantor no velório do cantor, no Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte, no fim da noite desta quarta-feira (8).

Elas levavam LPs e fotos de Wando, enquanto cantavam próximas ao caixão. O grupo terminou a homenagem com uma salva de palmas.

Fãs também levaram calcinhas, em referência à coleção do cantor. Uma delas colocou uma peça no caixão, ao lado da mulher de Wando, Renata Costa Lana e Souza. Emocionada, Renata ajudou na homenagem.

A aposentada Ângela Mesquita é uma das que levaram uma calcinha para o cemitério. Ela afirmou que vai ficar no cemitério até o enterro. “Trouxe essa calcinha para dar o último adeus”, disse. Ao cantarolar um dos maiores sucessos de Wando, “Fogo e Paixão” a aposentada se emocionou e chorou.

O cantor e compositor Márcio Greyck, que era amigo de Wando, compareceu ao velório na noite desta quarta-feira (8) no cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte. Segundo ele, Wando era um dos talentos da música popular brasileira. “Uma perda irreparável. As músicas dele vão ficar na memória do povo”, disse.

O produtor musical Carlos Alberto de Deus, que trabalha há 20 anos com shows do cantor em Minas Gerais, está no cemitério para prestar homenagem ao músico. "Era fora do comum a relação dele com o público. Principalmente com as mulheres", disse.

Morte de Wando

O músico morreu nesta quarta-feira, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, no Biocor Instituto, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde estava internado desde o dia 27 de janeiro.

Médicos que atenderam o cantor e familiares informaram em nota que, a partir das 5h40, houve um súbito agravamento do quadro de saúde de Wando. Em coletiva no fim da manhã desta quarta-feira (8), o coordenador do Centro de Terapia Intensiva (CTI), Heberth Miotto, explicou que a pressão arterial caiu bruscamente e, às 6h40, o paciente teve uma parada cardíaca. O óbito aconteceu às 8h, na presença da mulher de Wando, Renata Costa Lana e Souza.

Segundo o cardiologista particular do cantor, foram feitas manobras de ressuscitação, mas o paciente não resistiu. Durante a coletiva, Dionísio disse que havia alertado Wando sobre o excesso de peso e a necessidade de ter uma vida mais saudável. "Infelizmente não deu tempo", disse. De acordo com o boletim médico divulgado na terça-feira (7), ele apresentava quadro estável e melhora progressiva, mas a recuperação ainda era considerada de alto risco.

Wando foi hospitalizado com quadro de angina de peito, e exames apontaram que as três artérias coronárias do coração estavam entupidas por placas de gordura. Ele estava com 110 quilos no momento da internação, 30 a mais do que o recomendado para a altura dele, segundo o cardiologista particular. O cantor chegou a ser submetido a duas cirurgias e havia tido um infarto agudo dentro do hospital. Segundo os médicos, ele tinha três fatores de risco para doenças do coração, que são sedentarismo, excesso de peso e predisposição genética.

De feirante a ídolo romântico

Vanderley Alves dos Reis nasceu em 2 de outubro de 1945 – “num arraial chamado Bom Jardim [em Minas Gerais]”. Lá, ficava a fazenda que teria pertencido aos seus avós. Seu registro, no entanto, foi feito na cidade de Cajuri, no mesmo estado. Ele conta que, ainda criança, mudou-se para Juiz de Fora (MG), onde concluiu o antigo primário.

Mais tarde, ele foi para Volta Redonda (RJ), “onde eu entreguei leite nas casas, vendi jornal, virei feirante, dirigi caminhão na estrada”. Na mesma época, passou a se interessar por música, tendo inicialmente se dedicado ao estudo do “violão clássico”. “E aí eu descobri que não era legal o violão clássico para o que eu queria: eu queria tocar pras moças, né?”, afirmou em seu site oficial.

Entre álbuns de estúdio e registros ao vivo, o site de Wando contabiliza 28 trabalhos ao todo. O cantor acreditava ter vendido dez milhões de discos.

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