Cheiro forte alertou vizinhos sobre problema em lixão em SP

Cheiro forte alertou vizinhos sobre problema em lixão em SP

Atualizado: Terça-feira, 26 Abril de 2011 as 2:15

Explosão em aterro fez estrada ser coberta por terra e lixo em Itaquaquecetuba (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  A estudante Joice Maria de Almeida, de 18 anos, percebeu que algo de errado havia acontecido no aterro da empresa Pajoan em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, no momento em que abriu a janela de seu quarto na manhã desta segunda-feira (25). O cheiro que invadiu a casa era bem maior do que o sentido pelos vizinhos do lixão. É com ele que as famílias continuam convivendo nesta terça-feira (26), dia seguinte à explosão que provocou o deslizamento de toneladas de terra e lixo.

“Quando abri a janela veio aquele cheiro bem forte. Aí já pensei que tinha acontecido alguma coisa. Um tempo depois veio a notícia da explosão”, contou a jovem na tarde desta terça. “Está insuportável. Meu pai, que não mora aqui, veio buscar meus irmãos mais novos, levou para a casa dele. A gente fecha as portas e liga o ventilador, aí dá uma amenizada dentro de casa. Mas mesmo assim está difícil.”

A dona de casa Renata, seu marido e seus filhos têm sofrido com o mau cheiro (Foto: Juliana

Cardilli/G1)

  Outra que sofria com o mau cheiro e tentava ficar mais tempo dentro de casa era a dona de casa Renata Aparecida da Silva. Na segunda, ela chegou a ter dores de cabeça por causa do odor. “O cheiro sempre teve. Mas estourou ontem e aumentou. Está difícil, ainda mais agora que o sol abriu. Fora o mal que faz, tem muita criança pequena por aqui”, contou ela, com um bebê no colo. “Estou ficando mais dentro de casa, mas precisa abrir a janela. Aí o mau cheiro vem.”

Dona de um bar no bairro que fica ao lado do lixão, a comerciante Maria Diomar Araújo, de 42 anos, também teve dor de cabeça e sentiu falta de ar depois que o aterro explodiu. “Estava fora de casa quando aconteceu. Quando cheguei aqui já senti o mau cheiro. Ninguém conseguia nem comer. Está direto assim, terrível, hoje está do mesmo jeito”, contou.     O acidente causou o deslizamento de milhares de toneladas de terra e lixo. Cerca de 300 metros da Estrada do Ribeiro foram interditados por uma montanha de resíduos. A Defesa Civil, os bombeiros e homens da empresa responsável fazem a retirada do lixo – há a suspeita de que dois veículos possam ter sido soterrados, o que ainda não foi confirmado. Nenhuma pessoa da região foi dada como desaparecida. A Prefeitura de Itaquaquecetuba interditou o aterro, que está com suas operações paralisadas.      

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