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'Chevron vai pagar caro por dano ambiental', diz Cabral

'Chevron vai pagar caro por dano ambiental', diz Cabral

Atualizado: Quinta-feira, 1 Dezembro de 2011 as 8:45

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou nesta quarta-feira (30) que o vazamento de óleo na Bacia de Campos foi causado por irresponsabilidade da empresa Chevron, que explorava “um campo em fim de produção e utilizando técnicas ultrapassadas” e que "a empresa vai pagar caro" pelo dano ambiental causado.

Cabral completou dizendo que "eles (a Chevron) não foram honestos o suficiente. O que aconteceu foi absoluta falta de cautela e um desejo de explorar um campo envelhecido, em fim de produção, de maneira irresponsável".

"Eles têm que assumir e dizer ‘nós erramos’. Eu não vi o presidente da Chevron dizer isso ainda. O dia em que ele disser isso vai passar a respeitar mais o povo brasileiro e o povo do Rio de Janeiro. É preciso que a empresa diga que usou técnicas não recomendadas e tentaram otimizar um campo quase em desuso. Tanto que eles abandonaram o campo. Usaram técnicas medievais em um país como o nosso, que é referência no mundo em termos de exploração de petróleo offshore, em águas profundas. Não tem cabimento o que a Chevron fez. A empresa vai pagar por isso e vai pagar caro”, disse o governador, em entrevista à imprensa ao sair do seminário “Rio de Janeiro Investment Day Conference”, organizado pelo Council on Foreign Relations, em Nova York (EUA).

Chevron está "envergonhada"

Mais cedo o superintendente de meio Ambiente da Chevron, Luiz Pimenta, afirmou que a petroleira norte-americana está “envergonhada” pelo vazamento de óleo no Campo do Frade, na Bacia de Campos, litoral fluminense.

“Para a Chevron, uma gota de óleo já é um problema. Imagina só como nós estamos nos sentindo envergonhados pelo que ocorreu. A Chevron assume toda a responsabilidade pelo incidente”, disse durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

Pimenta afirmou que a petroleira “fez uso de todos os recursos disponíveis” para conter o escape de óleo. “A Chevron respondeu ao incidente de maneira responsável. Assumimos todas as respostas com os equipamentos devidos. O controle da fonte foi feito em quatro dias.” Ele afirmou que o vazamento está “praticamente” contido, restando escape de “óleo residual”. Segundo Pimenta, o volume que ainda vaza é pouco menor que três barris de óleo por dia. Segundo ele, as fissuras do poço foram cimentadas, mas ainda há óleo “residual” subindo para a superfície do mar. “A fonte está cessada. Ainda existe um fluxo residual em migração no fundo do mar. Temos estimativa de que está vazando menos de três barris diariamente”, afirmou.

De acordo com Pimenta, não há uma previsão de quando o vazamento irá cessar por completo. “Não temos essa estimativa.”

Indagado sobre se a petroleira pagaria as multas impostas a ela pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Pimenta disse: “Quanto às multas, a Chevron vai analisar a legislação brasileira e considera que ela tem que ser cumprida.”

A empresa norte-americana foi autuada em R$ 50 milhões por violar a Lei do Óleo. De acordo com o Ibama, a Chevron ainda poderá receber multa de R$ 10 milhões se for considerado que ela não conteve de forma eficiente o vazamento, e receber outra sanção de R$ 50 milhões em caso de dano ambiental.

Plano de contingência

Também durante a audiência na Câmara, o secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Martins Almeida, disse que o vazamento no Campo do Frade motivou o governo a repensar seu plano de contingência para casos de derramamento de óleo.

Segundo ele, o governo concluirá o novo texto do plano em 15 dias e incluirá vazamentos de menor gravidade. Pela proporção do derramamento na Bacia de Campos, o incidente não é contemplado no plano atualmente existente.

Almeida explicou que texto atual se baseia no vazamento de óleo no Golfo do México, em abril de 2010, quando vazaram cerca de 700 milhões de litros. No Campo do Frade, o volume de óleo que vazou foi de cerca de 470 mil litros ou 2,4 mil barris. “É preciso haver preocupação também com os vazamentos menores”, disse.      

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