Chutaram até o sangue escorrer, diz vítima de agressão na Paulista

Chutaram até o sangue escorrer, diz vítima de agressão na Paulista

Atualizado: Segunda-feira, 6 Dezembro de 2010 as 1:26

O operador de telemarketing Gilberto Tranquilini da Silva, de 28 anos, compareceu na manhã desta segunda-feira (6) ao 5º DP, na Aclimação, região central de São Paulo, para prestar depoimento.  Ele e o amigo afirmam ter sido vítimas de um ataque na madrugada de sábado (4), nas proximidades da Estação Brigadeiro do Metrô, na Avenida Paulista, após sair de uma casa noturna gay. Ele acredita ter sido vítima de homofobia e considera importante que as pessoas que forem vítimas de ataques semelhantes denunciem.

“Só porque somos homossexuais não podemos andar de mãos dadas? Eu peço [para as vítimas de homofobia] que denunciem”, afirmou o operador de telemarketing quando chegava  à delegacia.

No sábado, eles e o amigo, também de 28 anos, estavam em uma boate gay na Rua dos Ingleses, na Bela Vista, na região central. Como o amigo estava passando um pouco mal, ele pediu a ajuda de Gilberto para chegar até o metrô. Eles estavam de mãos dadas quando se depararam com um grupo de quatro rapazes e duas moças na altura da Avenida Brigadeiro Luís Antônio.   “Eles gritaram: 'desgruda, desgruda'”, afirmou Gilberto. Depois disso um rapaz empurrou o colega dele e ele caiu. “Eles deram vários chutes até o sangue escorrer da boca dele”, contou. Pouco mais à frente, o rapaz desmaiou. Ele disse ter levado uma voadora na cabeça.

Ele descartou que fossem skinheads, grupo conhecido por promover ataques contra homossexuais e nordestinos. “Estavam com roupas normais. Um tinha o cabelo com luzes e usava bermuda de surfista”, declarou.

Nesta segunda, o amigo dele ao chegar para depor, o amigo de Gilberto afirmou estar ainda muito abalado. “Eu apanhei sem saber qual era o motivo pelo qual eu estava apanhando. Só pelo fato de eu ser gay? Só por isso eu apanhei. Estou muito abalado psicologicamente com tudo isso. (...) Foi muito covarde”, afirmou o rapaz, que pediu para não ser identificado.

O rapaz afirmou que os agressores eram bastante violentos.“Na hora que eu caí no chão e desmaiei. Eu levei chutes, pontapés. Eles estavam com muita raiva mesmo e eu não sei qual era o motivo. Só porque eu e meu amigo estávamos de mãos dadas’, declarou o rapaz, com os olhos marejados.   Ele afirmou não lembrar de muitos detalhes. “Eles xingaram a gente e já começaram as agressões.(...) Eu acordei só no hospital’, afirmou.

O rapaz ficou com a boca ferida na agressão e perdeu parte do aparelho que usa nos dentes. Apesar de não ter muitas marcas no rosto, ele disse que não sabe se vai andar pela Paulista. “[Nesse momento a agressão] Dói mais na alma e no coração”, concluiu.

O caso foi registrado pelo mesmo distrito que registrou o ataque do grupo de rapazes feriu três pedestres na Paulista, em 14 de novembro. Quatro suspeitos, adolescentes, foram internados na Fundação Casa. Um rapaz de 19 anos, também suspeito de participar do mesmo ataque, continua em liberdade. Em um dos ataques, os garotos utilizaram uma lâmpada para ferir um dos agredidos no rosto. Neste sábado, outra vítima reconheceu o maior de idade e um dos adolescentes como sendo sues agressores em outra ocasião.    

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