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Cientistas divergem opiniões em relação às chuvas como efeito do aquecimento global

Cientistas divergem opiniões em relação às chuvas como efeito do aquecimento global

Atualizado: Segunda-feira, 12 Janeiro de 2009 as 12

Cientistas divergem opiniões em relação às chuvas como efeito do aquecimento global

As últimas semanas de 2008 foram marcadas por chuvas torrenciais no País todo, com dezenas de mortes por soterramento ou afogamento, milhares de desabrigados e imagens marcantes de desespero e impotência. O que aconteceu em Santa Catarina foi emblemático, mas o problema não se restringiu ao Sul do País. A situação foi crítica também do Rio de Janeiro a Salvador, das pequenas cidades de Minas Gerais às avenidas de São Paulo.

E 2009 não deve ser diferente. Um ano com variações climáticas ainda mais extremas. De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o primeiro trimestre será marcado por chuvas acima da média em parte do Sudeste e Centro-Oeste e na Amazônia, e por chuvas abaixo da média no Sul e no Nordeste, o que também é problema.

Enquanto as ruas de algumas das principais cidades do Brasil viravam rios no fim de dezembro, no Paraná agricultores calculavam prejuízos de até 25,5% sobre o valor da safra em função da falta de água. Os produtores de feijão e milho estão entre os mais prejudicados.

Períodos de seca no interior do Brasil e temporais em áreas onde estão grandes cidades são comuns nesta época do ano, mas a intensidade das chuvas e a gravidade das tragédias têm motivado debates quentes entre cientistas que estudam variações climáticas. Tendo à frente pesquisadores como José Antonio Marengo e Carlos Nobre, ambos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), há um grupo que relaciona as variações ao aquecimento global.

Nobre diz que a falta de informações e registros históricos sobre o clima no Brasil impedem conclusões definitivas, mas defende que a seqüência atual e o extremo no Sul do País, tanto de chuvas quanto de secas, já são reflexos de que o aquecimento global pode estar afetando a região. O IPCC trabalha com a idéia de que o clima da Terra está sofrendo alterações e que as catástrofes naturais serão mais freqüentes. O grupo conta com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. O trabalho foi premiado com o Nobel da Paz em 2007.

A tese, porém, não é consenso. O diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion, é um dos críticos da linha adotada e diz que o que está acontecendo é normal. Ele defende que não é a primeira vez que ocorrem temporais como o de Santa Catarina e que, se agora as conseqüências são drásticas, isso é fruto da falta de planejamento urbano e impermeabilização do solo.

O efeito desastroso de se asfaltar e encher de concreto cidades, arrancando árvores e plantas para dar espaço para carros, aliás, é um dos poucos consensos entre os cientistas. Todos são categóricos em afirmar que, se não tivermos verde para amenizar o efeito da chuva, com raízes fazendo drenagem natural, a tendência é que os alagamentos sejam cada vez piores. A natureza se vinga à sua maneira.

Rio de Janeiro

As chuvas que castigaram o Rio de Janeiro durante mais de uma semana no início de dezembro deixaram 3 mortos e afetaram mais de 485 mil pessoas em 12 municípios, de acordo com dados da Defesa Civil. Só em Campos dos Goytacazes, 1.887 moradores ficaram desabrigados. No município, diques irregulares foram retirados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente para que o nível de uma lagoa baixasse. A água espalhou-se por mais de 1,5 mil hectares.

Bahia

Dezembro foi marcado por deslizamentos e alagamentos na Bahia. O mês começou com estragos em Itamaraju, no sul do estado, onde ruas ficaram alagadas, casas ilhadas e pistas com grandes buracos. Em Coração de Maria, um vendaval deixou 127 famílias sem teto. Já na capital, Salvador, o pior dia foi a terça-feira, dia 9, quando ocorreram 11 deslizamentos de terra e 15 ameaças de deslizamento, além de várias ruas alagadas.

Minas Gerais

As chuvas que atingiram Minas Gerais em dezembro deixaram pelo menos 13 vítimas, além de 4.631 pessoas desabrigadas, sem ter para onde ir, e outras 27.832 desalojadas, que buscaram alento com parentes ou amigos. Foi decretada situação de emergência em 49 municípios, entre eles, Cataguases, Belo Vale e Formiga. Cerca de 14 mil casas foram danificadas e 179, totalmente destruídas, de acordo com a Defesa Civil. Enquanto entre as cidades de Carmo da Mata e Oliveira foi aberta uma cratera, na região metropolitana de Belo Horizonte, um homem foi arrastado pela correnteza.

Santa Catarina

Mais de 133 pessoas morreram em Santa Catarina, segundo a Defesa Civil. O estado foi, sem dúvida, o mais prejudicado pelas chuvas, que bateram todos os recordes em 2008. Enquanto as notícias mais recentes indicam que mais de 300 pessoas foram contaminadas por leptospirose e outras 1.900 estão sob suspeita de terem a doença, outras 78 mil precisaram abandonar as casas em que viviam. Pelo menos 14 cidades decretaram estado de calamidade pública. Entre elas, Blumenau, Itajaí, Joinville e Camboriú. De acordo com cálculos da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina, os prejuízos ultrapassam R$ 850 milhões.

São Paulo

Em poucas horas, em 22 de dezembro, a capital de São Paulo virou um verdadeiro caos, com 45 pontos de alagamento e o fechamento do aeroporto de Congonhas por mais de uma hora. Na foto ao lado, trecho da Marginal Pinheiros em que foram retirados gramados para expansão da pista, o que agravou ainda mais os riscos de alagamento. Centenas de pessoas tiveram os carros danificados pelas águas. No interior do estado, a cidade mais prejudicada foi Sorocaba, que teve casas, ruas e avenidas inundadas.

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