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Cinco PMs investigados por juíza morta no RJ são afastados das ruas

Cinco PMs investigados por juíza morta no RJ são afastados das ruas

Atualizado: Quinta-feira, 25 Agosto de 2011 as 1:27

Cinco policiais militares do 12º BPM (Niterói), que respondem por homicídio, foram afastados das ruas nesta quinta-feira (25). Segundo a assessoria da Polícia Militar, o afastamento foi determinado pelo comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, em cumprimento a uma decisão judicial da Patrícia Acioli, morta no dia 12 de agosto, quando chegava em casa.

Enquanto estiverem afastados das ruas, os cinco PMs só podem fazer trabalhos administrativos, dentro do batalhão. Ainda de acordo com a PM, eles respondem por homicídio na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde Patrícia atuava.

A assessoria da PM não confirma se os cinco afastados estão na lista dos 91 policiais que eram investigados pela juíza. Na terça-feira (22), o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, afirmou, ao falar sobre a morte da juíza Patrícia Acioli, que a punição para policiais militares envolvidos em casos gravíssimos é a expulsão da corporação .

Polícia procura bicheiro

Na quarta-feira (24), policiais da 75ª DP (Rio d'Ouro) estouraram o escritório de contabilidade do contraventor que controla o jogo do bicho em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Segundo o delegado Júlio Cesar Mulatinho, o bicheiro conhecido como "Anderson" é um dos investigados pela morte da juíza Patrícia Acioli. Em 2009, numa conversa telefônica gravada pela polícia, ele fez ameaças à magistrada.

O contraventor está foragido há dois anos. De acordo com o delegado, ele tem pedido de prisão preventiva por dois homicídios. Uma das vítimas seria um de seus gerentes, enquanto a outra seria uma testemunha do inquérito que apura a atuação da máfia das vans no município.     "Desde a morte da juíza intensificamos as investigações sobre pessoas que seriam suspeitas da morte dela. E ele é um dos suspeitos, pois já fez ameaças contra a juíza. Agora, com os documentos recolhidos, vamos aprofundar as investigações e verificar se há mais gente envolvida nos crimes não só da juíza, mas também nos outros crimes", disse o delegado, que vai encaminhar um relatório da ação desta quarta-feira à Divisão de Homicídios (DH), responsável pela investigação da morte da magistrada.

Único bicheiro da cidade, o contraventor controlava 171 pontos de aposta no município, nos quais realizava quatro sorteios por dia, segundo a polícia. Uma das anotações encontradas pela polícia mostra que, em pelo menos um dos pontos, o contraventor lucrava cerca de R$ 12 mil em cada sorteio.

"O trabalho de hoje foi importante para desestabilizar a contravenção em São Gonçalo. Agora, vamos investigar outros crimes que possam estar ligados ao jogo do bicho, como, por exemplo, a exploração de caça-níqueis, e até mesmo homicídios pelo controle dos jogos de azar na cidade", disse o delegado.

No escritório, um apartamento de dois quartos no bairro Estrela do Norte, cinco pessoas - sendo quatro mulheres- foram detidas. Elas foram levadas para a delegacia onde vão prestar depoimento e depois serão liberadas. Os detidos serão autuados por contravenção.

O advogado Técio Lins e Silva, contratado pela família da juíza, disse, nesta quarta-feira (24) que o inquérito que apura a morte da magistrada deve ser concluído nas próximas semanas.

Segundo o advogado, em conversa com autoridades policiais, elas garantiram que não haverá necessidade de prorrogação do prazo para a investigação.

"O inquérito deve ser concluído dentro desses 30 dias previstos pela lei. A polícia está prestes a apresentar resultados definitivos deste caso", informou Técio.

Ele recebeu nesta quarta-feira o processo administrativo de 2009, que estava arquivado no Tribunal de Justiça do Rio, onde, segundo ele, constam ofícios enviados pela juíza com pedidos de segurança e registros de ameaças recebidas pelo Disque-Denúncia. Técio falou ainda que não teve tempo de analisar a documentação.

"A primeira preocupação da família é descobrir o autor ou autores desta barbárie. O processo administrativo é uma segunda fazer nesta apuração", explicou ele.          

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