MENU

Cinema estava devendo 'favela alto astral', diz premiada em Paulínia

Cinema estava devendo 'favela alto astral', diz premiada em Paulínia

Atualizado: Sexta-feira, 23 Julho de 2010 as 11:45

A produtora Renata de Almeida Magalhães usa palavras como "alegre", "feliz" e "alto astral" ao explicar o êxito de "5 x favela, agora por nós mesmos" no Festival de Paulínia - o longa foi premiado em sete categorias , incluindo melhor filme, na noite desta quinta-feira (22).

"Esse filme finalmente traz o que faltava ao cinema nacional: o olhar sobre a favela vista por quem vive nela", explica Renata que produziu o longa junto com o cineasta Cacá Diegues. "E o que eles querem mostrar da favela não é o tráfico nem a violência. Adoro uma frase do filme que diz 'aqui também tem Natal'."

"5 x favela, agora por nós mesmos" é dividido em cinco episódios, dirigidos e estrelados por jovens nascidos nas comunidades do Vidigal, Maré, Cidade de Deus e Vigário Geral. O grupo passou por oficinas de roteiro e direção e também elaborou o argumento do longa. "Eles nos traziam as ideias, que eram votadas e desenvolvidas por todos os alunos. O filme andou sozinho, eles fizeram praticamente tudo", diz Renata.

Além de melhor filme e dos prêmios técnicos, o longa também levou os troféus Menina de Ouro - nome da estatueta concedida pela mostra de Paulínia - nas categorias atores coadjuvantes. Dila Guerra recebeu sua estaueta e a do colega, o ator Marcio Vitor. "Agora é a gente mesmo! Não quero parar de fazer cinema nunca mais", comemorou a atriz.

"5 x favela, agora por nós mesmos" deve chegar aos cinemas no dia 25 de agosto.

A bicicleta de Malu

Outro destaque da premiação em Paulínia foi a comédia romântica "Malu de bicicleta", adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, dirigida por Flavio Tambellini. A produção levou as estatuetas de direção em longa-metragem e atores principais para Fernanda Freitas e Marcelo Serrado.

Bastante elogiado pela crítica, o filme conta a história de um empresário da noite mulherengo, que um dia é atropelado por uma garota numa ciclovia. Eles vivem um romance perfeito até que uma carta de amor misteriosa enche o rapaz de dúvidas.

Fernanda, que vive a Malu do título, conta que se inspirou na Capitu de Machado de Assis. "Antes mesmo de ler o livro do Marcelo, reli o Machado. Eu queria explorar essa dúvida maluca que ronda o personagem do livro, e a Capitu é uma das personagens mais ricas da nossa literatura."

Segundo a atriz premiada, a presença do Marcelo Rubens Paiva em três dias da filmagem também foi definitiva. "Ele deu dicas essenciais para algumas cenas."

"Bróder", de Jefferson De, também brilhou na noite. Além dos prêmios do júri oficial nas categorias fotografia, direção de arte e edição de som, o filme foi também o favorito da crítica especializada. A história trata de três amigos nascidos no Capão Redondo que se reveem no aniversário de um deles.

Documentário e curta

Com dois prêmios - especial do júri e melhor documentário segundo o público -, "Lixo extraordinário", de João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker, foi outro destaque da premiação.

O documentário acompanha o processo de criação do artista plástico Vik Muniz dentro do maior aterro sanitário do Rio de Janeiro, o Jardim Gramacho, e tem como pontos altos cenas que mostram o dia-a-dia dos catadores do lixáo. Um deles, Tião Carlos dos Santos, estava em Paulínia para a cerimônia de premiação.

Ele se emocionou com o prêmio e se emocionou em seu discurso, bastante aplaudido pela plateia. "Hoje, era para eu estar em um congresso de catadores. Mas tive um pressentimento de que o filme poderia ganhar um prêmio e resolvi ficar", disse Tião. A produção também já ganhou alguns prêmios internacionais, entre eles o do Festival de Berlim. "Estou aqui com a camiseta da Berlinale, mas ganhar aqui a emoção é muito maior. Aqui é a minha casa."

Vencedor nas categorias melhor documentário e direção em documentário, "Leite e ferro" fala da maternidade na cadeia. "Dedico este prêmio às mulheres que conseguem ser mães dentro de situações-limite. Graças a elas e a emoção que me passaram, consegui chegar neste resultado", disse a diretora Claudia Priscila.

Dentre os curtas-metragens, o grande premiado foi "Eu não quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro. Com extrema delicadeza, a produção trata da descoberta da homossexualidade por um jovem. Consagrado pelo júri oficial, popular e crítica, o diretor brincou com o número de estatuetas recebidas - quatro. "Logo eu que fiz um filme gay estou levando um monte de Meninas pra casa!"

veja também