Cobrador sugeriu a motorista de ônibus que batesse em poste

Cobrador sugeriu a motorista de ônibus que batesse em poste

Atualizado: Quarta-feira, 16 Março de 2011 as 2:35

Ainda abalado com o acidente que causou duas mortes e deixou seis pessoas feridas na tarde desta terça-feira (15) em Santa Bárbara D’Oeste, a 135 km de São Paulo, o cobrador João Monaro, de 63 anos, disse no fim da manhã desta quarta-feira (16) ao G1 que ele e o motorista fizeram tudo o que puderam para evitar a tragédia. O cobrador chegou a sugerir ao motorista Alessandro Moreira de Oliveira que colidisse o veículo contra um poste e, assim, não atropelasse quem estava na rua, o que não teve êxito. O ônibus conduzido por eles perdeu o freio e percorreu cerca de 1 km na cidade, atingindo três carros, uma moto e dois pedestres antes de parar no hotel.

“Estou pensando nas pessoas que a gente matou, estou sentido. O que nós pudemos evitar nós evitamos, era uma hora de muito movimento. Fizemos de tudo, deixei a catraca e fui para a frente com o motorista para ajudar a orientar, ele estava desnorteado. Ele ficou meio traumatizado”, afirmou Monaro.

Procurado, o motorista Alessandro Moreira de Oliveira afirmou que foi orientado por seu advogado para não falar sobre o assunto. A Viação Barbarense informou que também não irá se manifestar sobre o acidente.

Nesta terça-feira, o interventor da empresa havia dito que o coletivo estava em boas condições. "O carro estava com condições mecânicas perfeitas. É um carro de fabricação ano 2000. Os profissionais são orientados e treinados”, afirmou Truz. A Viação Barbarense está sob intervenção do município há quatro meses para melhorar a qualidade do transporte.

Sem freios

O cobrador trabalha há nove meses na linha e contou que ele e o motorista perceberam que havia algo de errado ao entrarem em uma descida. “Simplesmente perdeu o freio. Estava tudo normal, daí quando pegamos a descida perdeu o freio, pegou embalo e não teve como segurar mais. Foi de uma hora para outra. Ninguém imaginava que isso ia acontecer”, afirmou o cobrador, que disse que os ônibus são revisados todos os dias.     Ele contou que ambos tentaram tirar o ônibus das avenidas para que ele parasse, mas que não foi possível. Em um dos pontos, o veículo entrou na contramão – o sinal estava fechado e a medida foi tomada para que diversos carros não fossem atingidos.

Quando chegaram à rua do hotel, o cobrador falou para o motorista bater em um poste, fazendo com que o veículo parasse. “Mas antes tinha uma árvore, o ônibus bateu na árvore, desviou o volante e pegou no hotel. O senhor que estava na calçada se apavorou e entrou na frente, ele queria voltar para o hotel”, contou ele. O homem na calçada era o pastor Armando Gonsaga, de 67 anos, que morreu no hospital.

Havia apenas dois passageiros no ônibus, que não ficaram feridos. “Se eles gritaram eu não ouvi, estava prestando atenção no ônibus”, afirmou. O cobrador teve apenas ferimentos leves no ombro e no rosto. Ele iria ao médico ainda nesta quarta para ser encaminhado a um médico nesta manhã para ser encaminhado a um médico trabalhista e saber quando poderá voltar a trabalhar.

Indiciamento

O motorista Alessandro Moreira de Oliveira será indiciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa, segundo informações da Polícia Civil. Além de Gonsaga, o comerciante Rubens Ribeiro, de 56 anos, que estava em uma motocicleta que foi atingida pelo ônibus, também morreu.

Outras seis pessoas ficaram feridas: Amauri Gonçalves de Oliveira, de 42 anos, diretor de uma companhia de teatro, a mulher dele, Renata Rosilei de Paula Oliveira, de 36 anos, outro diretor da companhia, Roberto Luis Isler, de 44 anos, Roberto Carlos Figueira, de 45 anos, Roseli Pereira dos Santos, de 50 anos e Maria Lúcia se Souza Bonvechio, de 50 anos. Os cinco primeiros estavam em três carros atingidos pelo ônibus; Maria Lúcia estava na calçada e foi atingida pouco antes de o veículo destruir a fachada do hotel.

Parentes de Roberto Luis Isler que estiveram na Delegacia Central da cidade informaram que eles está internado na Santa Casa do Município e passaria por uma cirurgia nesta manhã. Ele sofreu fraturas nas costelas e teve um pulmão perfurado. Amauri de Oliveira também estava internado na Santa Casa; sua mulher foi encaminhada para o Hospital da Unimed de Americana, cidade vizinha. Os três estavam no mesmo carro e voltavam de Americana no momento do acidente.

Maria Lúcia, que foi atropelada, teve fraturas nas duas pernas e na bacia e está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas, em Americana, na mesma região. Segundo seu marido, o tecelão Rene Aparecido, ela havia saído do trabalho e ia encontrá-lo em uma farmácia próxima ao hotel quando ocorreu o acidente. “Ela está consciente, conversando, disse que foi arremessada para um canteiro pelo ônibus. Eu estava na farmácia e vi o ônibus descendo em alta velocidade”, afirmou.

Segundo a prefeitura da cidade, Roseli e Roberto Carlos foram atendidos no pronto-socorro Edson Mano e liberados.      

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