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Código Florestal provoca bate-boca entre líderes da Câmara

Código Florestal provoca bate-boca entre líderes da Câmara

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 9:40

A discussão sobre a votação do Código Florestal provocou nesta terça-feira mais um debate acalorado no plenário da Câmara. O líder do DEM, ACM Neto (BA), e o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), trocaram acusações na tribuna.

ACM Neto questionou a quebra no acordo de líderes semana passada quando o governo mobilizou a base para derrubar a votação da reforma do Código Florestal na última quarta-feira. Pelo entendimento dos líderes, o código seria votado na quarta e nesta semana seriam analisadas medidas provisórias.

O líder do DEM criticou a postura do Vaccarezza. "Há conflito entre o Vaccarezza deputado, que honrou compromissos, com o Vaccarezza líder de governo. Um Vaccarezza na sala do presidente da Câmara fechou acordo solene de votar o Código Florestal e, de repente, depois de fechado acordo, vem aqui o Vaccarezza líder do governo acanhado, envergonhado, voltar atrás da palavra que deu e descumprir o acordo que fez", disse.

ACM disse que a relação da oposição com o líder do governo será de "desconfiança". O deputado afirmou que seu tio, Luís Eduardo Magalhães, então líder de FHC, vivenciou caso semelhante, mas que ao ser surpreendido pela decisão do governo de não cumprir o acordo, entregou o cargo.

ACM Neto disse que no Parlamento a palavra vale mais que o cargo. "Eu esperava isso de Vacarezza. Espero que esse episódio faça parte de um momento ruim do Congresso e possa ser deixado no passado. E que a confiança nas relações sejam conquistadas através de atitudes".

Vaccarezza rebateu o líder do DEM. Disse que a fala era uma declaração de guerra. "Não estou na liderança do governo para garantir cargo. Paralisei a votação do código porque fui com a responsabilidade que tinha de líder do governo e conversei com lideres e nós de comum acordo decidimos não votar. Agora, acho que não podemos paralisar a Casa até a votação do código. A votação do código será na data que a maioria quiser", afirmou.

O petista provocou ACM afirmando que se ele era minoria, "esse não era um problema do governo". Vaccarezza lembrou que a oposição foi derrotada nas urnas.

Vacarrezza anunciou que o governo pretende votar o código na próxima semana. "A votação do Código Florestal está marcada para o dia 24. Se o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto acredita ou não acredita, é problema dele.

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto tenta levar à desmoralização a minha pessoa como deputado federal e como líder do governo, o que não vou admitir. E acho que a declaração e fala na íntegra do deputado é uma declaração de guerra, e nós aceitamos a declaração.

Os discursos acalorados começaram após a oposição pressionar para que fosse analisado requerimento que pedia a convocação de uma sessão extraordinária para votar o código nesta semana. O governo só quer analisar medidas provisórias.

Vaccarezza tentou mobilizar a base para derrubar o requerimento, mas o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) interrompeu lembrando que a discussão do código não é discussão de governo e oposição. Com os ataques dos líderes, a sessão acabou suspensa.

ACM Neto disse esperar o retorno amanhã do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), para cobrar a promessa do peemedebista de não votar nada enquanto o código não for analisado. O governo vai tentar garantir a votação de medidas provisória, especialmente a que trata de novas regras para a licitação de obras da Copa do Mundo e da Olimpíada.

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