Com dores, Arruda deixa prisão para realizar exames

Com dores, Arruda deixa prisão para realizar exames

Atualizado: Terça-feira, 9 Março de 2010 as 12

Após 25 dias preso, o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), deixou nesta segunda-feira, dia 8, a Superintendência da Polícia Federal pela primeira vez para realizar exames no Hospital Juscelino Kubitschek, no Sudoeste, bairro nobre da capital federal.

Há suspeita de que o ex-democrata estaria com trombose (formação de um coágulo de sangue no interior de um vaso sanguíneo) no tornozelo direito. Arruda reclamou que estava com inchaço e sentindo fortes dores no tornozelo, que foi operado no final do ano passado após a ruptura nos ligamentos.

Os médicos da Polícia Federal aconselharam que ele fosse levado para avaliação em um hospital. O resultado dos exames ainda não foi divulgado. A consulta levou uma hora e meia.

Os advogados de Arruda disseram ontem que ele apresentava inchaço no tornozelo por causa do quadro de diabetes. Com a prisão, Arruda teria deixado de fazer sessões de fisioterapia recomendada por médicos para auxiliar na recuperação do tornozelo.

Desde que Arruda foi preso, os advogados reclamam das condições do atendimento médico do governador e chegaram a afirmar que reivindicaram uma consulta do médico da família, que teria sido negada pela Polícia Federal.

Segundo a PF, "não há nenhum quadro de anormalidade no estado de saúde de Arruda". A Polícia Federal informou ainda que o governador afastado passa diariamente por avaliação de um cardiologista que mede a pressão arterial e checa possíveis problemas de saúde.

Na semana passada, o deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) visitou Arruda e contou que o ex-democrata reclamou de tonturas e de queda de pressão.

Sem condições

Arruda está preso em uma sala de 16,8 m2 na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A sala tem cama com colchão, mesa com cadeira estofada, sofá de três lugares, armário com duas portas, frigobar e ar-condicionado.

Na quinta-feira, durante julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) do mérito do habeas corpus para reverter a prisão preventiva de Arruda, o advogado Nélio Machado disse que o governador afastado está preso em uma "masmorra" há mais de 20 dias.

Ao defender a manutenção da prisão, a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, rebateu as críticas da defesa de Arruda de que não foram oferecidas condições para ele na prisão.

A prisão de Arruda foi determinada no dia 11 de fevereiro pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que acolheu a denúncia do Ministério Público Federal de que ele obstruía as investigações do esquema de corrupção.

Arruda e outras cinco pessoas são acusadas de tentar subornar o jornalista Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina no DF.

Por: Márcio Falcão

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