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Com quase 20 fábricas de licor, Cachoeira é a capital baiana da bebida

Com quase 20 fábricas de licor, Cachoeira é a capital baiana da bebida

Atualizado: Quinta-feira, 23 Junho de 2011 as 1:36

São João é sinônimo de muito forró em todo nordeste, mas na Bahia o arrasta-pé é acompanhado por uma bebida típica desta época: o licor. Uma das cidades onde, além da festa, o licor é muito famoso é Cachoeira, a 110 km de Salvador.

Cachoeira é uma cidade histórica do Recôncavo baiano. Banhada pelo Rio Paraguaçu, foi alvo dos portugueses que resistiram à independência do Brasil na Bahia. Cachoeira lutou, venceu e hoje é considerada Cidade Monumento Nacional. Mas popularmente é conhecida mesmo como berço do samba de roda e a capital baiana dos licores, que são encontrados na feira livre e nas quase 20 fábricas da cidade, que abastecem o mercado baiano.

O licor é artesanal, mas dois meses antes do São João começa a ser produzido em escala industrial, como explica seu Antônio, um dos mais antigos fabricantes da cidade. “Normalmente, trabalhamos com quatro pessoas. Quando chega a época do licor são vinte e poucas pessoas. É a terra do licor”, conta Antônio Souza.

Só em uma fábrica da cidade são vinte tipos de licores. Em uma pequena vila de Cachoeira, a cerca de sete quilômetros da cidade, vive uma senhora apontada por moradores da região como uma das maiores fabricantes de licor da localidade. “Dizem, dizem, sou mais ou menos. Devo vender mais ou menos uns dez mil”, diz dona Angelina Cordeiro, a fabricante de licor famosa.

Ela conta que fazia a bebida para casa, para os filhos e visitas que recebia no São João. “De repente, quando eu abri os olhos, tava fazendo pra todo mundo”, lembra. No barracão, dezenas de tanques armazenam frutas como o jenipapo. Depois de ficarem durante meses em uma infusão com álcool, as frutas são esmagadas em uma prensa centenária. O liquido é coado e depois passa por uma segunda coagem, até ir para a garrafa. O litro é vendido no atacado e varejo por preços que variam entre R$ 4 e R$ 7.

Dona Nenzinha, como é conhecida dona Angélica, conta que no São João dela nada de licor. “Tem canjica, amendoim, milho e bolo. Tá bom demais”, finaliza.          

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