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Com restrições, caminhões levam caos a avenidas do Campo Limpo

Com restrições, caminhões levam caos a avenidas do Campo Limpo

Atualizado: Segunda-feira, 8 Novembro de 2010 as 8:10

A cada restrição imposta pela Prefeitura, caminhoneiros que são obrigados a trafegar pela Zona Sul de São Paulo em horário comercial buscam alternativas para acessar algumas rodovias, como a Régis Bittencourt e a Raposo Tavares, pelas quais chegarão aos seus destinos, seja em outro estado ou mesmo na Grande São Paulo, como Osasco.

Desta vez, quem está sofrendo com o tráfego intenso de caminhões pesados são os moradores e comerciantes do entorno da Avenida Carlos Caldeira Filho e das estradas de Itapecerica da Serra e, principalmente, de Campo Limpo, no Campo Limpo.

As primeiras vias a terem restrição para a circulação de caminhões foram a Marginal Pinheiros e as avenidas dos Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho, no início de setembro. Com a proibição, os caminhoneiros passaram a desviar por dentro do bairro, principalmente pelas avenidas do Morumbi, como a Professor Francisco Morato, Giovanni Gronchi, Morumbi (entre as pontes do Morumbi e da Avenida Professor Francisco Morato), Luís Migliano, Guilherme Dumont Villares, Jacob Salvador Zveibel, Jorge João Saad e nas ruas Oscar Americano, Padre Lebret e Jules Rimet (entre a Rua Padre Lebret e a Praça Roberto Gomes Pedrosa), complicando o trânsito na região.

A solução encontrada foi a de proibir a circulação também nestas vias, a partir de 27 de setembro. As multas a quem desrespeitasse a proibição começaram a ser aplicadas no último dia 29 de outubro. Desde então, como consequência, o caos se instalou nas estradas de Itapecerica da Serra e do Campo Limpo, vias de mão dupla, estreitas e sem condições de comportar veículos de grande porte.

Com o trânsito praticamente parado em toda a extensão da Estrada de Campo Limpo, sobram reclamações de todos os lados. O motorista Luís Antônio da Silva, de 36 anos, por exemplo, disse que percorria no volante de um ônibus o trajeto da linha Jardim Nossa Senhora de Fátima-Metrô Campo Limpo em até 35 minutos.

Desde que os caminhoneiros adotaram a via como rota alternativa em direção à Régis Bittencourt, já em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, esse tempo praticamente dobrou. "Agora eu levo, no mínimo, uma hora e 20 minutos para fazer o mesmo trajeto. Antes, era tranquilo. Fazia mais viagens por dia. Com os caminhões desviando por aqui, é esse trânsito todo até as 20h todo dia", afirmou Silva.

Nos pontos de ônibus, aumentou o tempo de espera. "Fico mais de meia hora esperando um ônibus para o Pirajussara (bairro da capital que faz divisa com Taboão). Piorou muito o trânsito com os caminhões", disse a dona de casa Tereza Silva Lima, de 51 anos, enquanto aguardava no ponto de ônibus.

Tem, inclusive, quem prefira não esperar mais pelo ônibus, optando por fazer o caminho de casa, na volta do trabalho, a pé mesmo. "Gasto meia hora caminhando da garagem onde trabalho, na Estrada de Itapecerica, até a praça do Campo Limpo. Se for pegar o ônibus, vou esperar muito no ponto e ficarei um tempão dentro. A pé, é mais rápido", declarou o auxiliar de fiscal Gilberto de Oliveira Filho, de 38 anos.

Os caminhoneiros que têm de dirigir por uma via estreita, com asfalto irregular e congestionada também reclamam. José Cícero de Oliveira, de 36 anos, por exemplo, transporta diariamente produtos de uma fábrica de cosméticos localizada em Interlagos, na Zona Sul, até o depósito em Osasco, na Grande São Paulo. Com as restrições na Marginal Pinheiros e nas avenidas do Morumbi, restou como alternativa a Estrada de Campo Limpo.

"Pela marginal, eu levava 25 minutos. Agora, são de quatro a cinco horas para levar a carga. Não têm mais condições de trabalhar, porque não tem mais caminho. E se quebrar um caminhão em uma via dessas para tudo mesmo", disse Oliveira, que também deixou de fazer mais viagens por dia.

Além da queda da produtividade, os caminhoneiros reclamam do aumento dos custos. "Tenho prazo para entregar a mercadoria, mas já estou mais de hora neste trânsito e não andei um quilômetro sequer. Sem falar no combustível a mais que você gasta", declarou o caminhoneiro José Santana, de 43 anos, que levava uma carga de lã de vidro para Santa Catarina.

E, para evitar mais prejuízos, o jeito é enfrentar os congestionamentos pelas vias do Campo Limpo, já que quem for flagrado trafegando pelas avenidas com restrição de circulação de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h, deve receber uma multa no valor de R$ 85,12, além de levar quatro pontos na carteira de habilitação.

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