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Com samba, blocos de rua do RJ protestam contra Código Florestal

Com samba, blocos de rua do RJ protestam contra Código Florestal

Atualizado: Quinta-feira, 16 Junho de 2011 as 4:22

Para popularizar o debate sobre o novo Código Florestal brasileiro e protestar contra a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados, o movimento de blocos e bandas do Carnaval de rua do Rio de Janeiro organiza para este domingo (19) uma manifestação em favor das florestas ao som do samba.

Organizado pelo bloco ‘Simpatia é quase amor’, que costuma arrastar milhares de pessoas durante a folia na capital fluminense, o desfile terá o tema 'Sambe pelas florestas para elas não dançarem' e vai reunir 100 ritmistas de várias agremiações ao som de sambas com temática ambiental. O bloco sairá a partir das 10h, em frente ao posto seis na avenida Atlântica, em direção ao Leme. A expectativa é de reunir cerca de 30 mil pessoas ao longo do dia.

De acordo com Tomaz Miranda, organizador do evento e integrante do bloco ‘Simpatia’, um manifesto foi elaborado pelos participantes, com críticas à lei na questão da anistia aos desmatadores e a liberação da agricultura em áreas localizadas em topos e encostas.

“A nossa intenção é demonstrar a nossa desaprovação quanto ao novo Código Florestal. Realizamos um manifesto que condena pontos importantes na nova lei, de autoria do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B/SP)”, informou Miranda.

A insatisfação com a legislação, que estipula regras para a preservação ambiental em propriedades rurais, aprovada pela Câmara pela maioria dos parlamentares também foi refletida em pesquisa divulgada na semana passada pelo Datafolha, que foi encomendada por instituições ambientais.

O levantamento, que ouviu 1.286 pessoas, aponta que 95% dos entrevistados não aceitam manter plantações e a pecuária existentes hoje em Áreas de Preservação Permanente (APPs), como encostas íngremes, topos de morro e margens de rios.

Outro dado aponta que 77% das pessoas avaliam que o Senado deveria parar para ouvir os cientistas antes de votar a questão e 20% dos entrevistados consideram que o Código deveria ser votado imediatamente para resolver o problema das multas.

Apoio

Os manifestantes vão aproveitar a oportunidade para pedir que os senadores eleitos pelo Rio de Janeiro alterem os pontos considerados críticos no projeto. O novo projeto do Código Florestal será analisado pelo Senado nos próximos seis meses, antes de ser colocado em votação. “Pedimos pela revisão ou mesmo apresentação de emendas”, afirmou Miranda.

Para Marcio Astrini coordenador da campanha da Amazônia da ONG (Organização Não-Governamental) Greenpeace, o protesto mostra que a briga não é mais assunto apenas entre ruralistas e ambientalistas. “Mesmo o assunto sendo técnico e difícil de levar às pessoas, percebemos um aumento no interesse público”, disse.

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