Com telhado quebrado, alunos fazem rodízio em escola da Zona Norte de SP

Com telhado quebrado, alunos fazem rodízio em escola da Zona Norte de SP

Atualizado: Segunda-feira, 30 Maio de 2011 as 1:02

Os alunos das escolas públicas estaduais da Grande São Paulo estão sofrendo com a falta de estrutura para aulas. Na Zona Norte da capital, há escola fazendo rodízio de turmas porque o telhado está quebrado desde janeiro e interditou algumas salas. Já na Zona Sul, faltam funcionários e os pais ficaram responsáveis pela limpeza e merenda escolar.

A Escola Estadual Jardim Boa Esperança, no Jardim Ângela, Zona Sul da capital, foi inaugurada em fevereiro deste ano. O prédio é novo, só que os funcionários para cuidar da manutenção ainda não foram contratados. A falta de limpeza é só um dos problemas apontados pelos pais. “É uma bagunça total, não tem funcionário para trabalhar, o banheiro é sujo, o pátio uma nojeira”, conta uma mãe.

Outro problema é a falta de segurança. O portão fica aberto e qualquer pessoa pode ter acesso às crianças no recreio. Do lado de dentro, quem toma conta dos alunos é uma senhora sem uniforme que confirma ser uma voluntária.

Mariluza Costa é uma mãe voluntária. “Uma sozinha não dá, precisa de batalhão de gente para limpar. Só dei uma limpadinha no banheiro e vi o intervalo deles, é um descaso”, fala ela. Imagens flagraram crianças disputando pouca água nas torneiras.

Muitos alunos trazem o lanche de casa porque a escola não tem merendeiras de verdade. “Normalmente eu venho de voluntária. To fazendo de graça, eu moro aqui do outro lado. Até os pequenos vêm na cozinha ajudar a gente, porque é só uma pessoa para lavar, fazer salada”, relata outra mãe.

A diretora não quis gravar entrevista sem autorização da Secretaria Estadual de Educação, mas falou sem saber que estava sendo gravada. “Temos pais voluntários. O governo já contratou uma empresa especializada. Agora é a parte burocrática. Enquanto isso, os pais dão uma força. A prioridade é lavar panelas, cuidar das coisas.”

O secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, diz que está sendo feito um diagnóstico da rede. “O governador pediu que fosse feito um diagnóstico com olho no quadro de pessoas - professores e funcionários - e estrutura. Houve uma mudança baseada no diagnóstico para mudar e ampliar o módulo de organização escolar para haver mais funcionários nas escolas.”

A perspectiva para colocar tudo em ordem na rede estadual de ensino é de quatro anos. “A rede é muito ampla e os investimentos serão de quatro anos, que vão desde escolas novas, coberturas de quadras e reformas. Estamos falando de bilhões de reais. A proposta que fiz ao governado é que em quatro anos se minimize as questões. Não há como ter uma outra resposta”, completa Voorwald.

Escola em obras

Na Escola Estadual Carlos Borba, na Zona Norte, os alunos fazem rodízio para ir ao colégio. "Minha filha só vai pra escola de terça a sexta porque tem que revezar”, conta Sandro Xavier, pai de uma aluna. Os pais contam que os telhados das salas desabaram em janeiro e por isso algumas salas foram interditadas.

O forro também está cheio de mancha e mofo, com sinais de infiltração. “Existe perigo de um escorregão, problema de queda”, fala Sandro. Ainda não há soluções para o problema. Segundo os pais, a orientação é para aguardar. “Precisa arrumar o teto da escola. É preciso arrumar antes que acabe caindo em cima de alguma criança”, completa outra mãe.

Reclamações

Outras regiões também reclamam do descaso nas escolas. A equipe do SPTV 1ª edição recebe diversos e-mails contando as histórias. No Parque Savoy, região de Cidade Líder na Zona Leste, as crianças ainda não receberam os livros didáticos. Em Guarulhos, na escola estadual João Luiz de Godoy Moreira, os professores faltam bastante e, quando isso acontece, não tem substituição. Em Taboão da Serra, alunos assistem às aulas em pé porque não tem mesas nem cadeiras.        

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