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Comércio usa tecnologia para se proteger da inadimplência

Comércio usa tecnologia para se proteger da inadimplência

Atualizado: Sexta-feira, 2 Julho de 2010 as 8

Economia estável, aumento do poder aquisitivo e, principalmente, maior oferta de crédito foram os fatores que transformaram o ato de comprar em uma atividade comum a muito mais gente nos últimos cinco anos. Enquanto em 2005 o crédito concedido às pessoas e às empresas representava somente 22% do PIB brasileiro, hoje esse percentual é de 48%.

Mais dinheiro emprestado, porém, não significa inadimplência proporcional. Dados do Banco Central mostram que as taxas de inadimplência do consumidor são, hoje, muito próximas das de 2005, quando a oferta de dinheiro era menor. O mês de maio de 2010, por exemplo, fechou com inadimplência em 6,8% das operações de crédito, o índice mais baixo desde dezembro de 2005.

No Rio Grande do Sul, considerando-se apenas o comércio, 11,5% dos consumidores estavam com parcelas atrasadas em maio deste ano, de acordo com números do Serviço de Proteção ao Crédito do Estado (SPC-RS). O percentual é inferior aos 12,2% registrados no mesmo mês de 2006.

Investir em mecanismos que evitam o calote é o segredo para manter em expansão a oferta de recursos sem comprometer a estabilidade da economia. Sem as mesmas armas do sistema financeiro para se proteger, como o recuo e o avanço nas taxas de juro, o comércio aprimorou o sistema de avaliação e gestão de crédito para minimizar os efeitos do atraso ou da falta de pagamento. Para a liberação das compras a prazo, os comerciantes vão além da consulta ao SPC e apostam em softwares que relacionam dados disponíveis sobre o consumidor com características da economia local, dimensionando com mais precisão os riscos de cada venda em prestações.

— Com o aumento do poder de compra da classe C, temos 75% de todas as vendas feitas a prazo no comércio de Porto Alegre. Por isso, precisamos de uma ferramenta que nos ajude a fazer uma gestão de risco precisa — comenta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Vilson Noer.

Empresas limitam o financiamento

Noer destaca que as empresas não estão preparadas para perder mais do que 3% do faturamento com a inadimplência dos consumidores. Ao mesmo tempo, precisam liberar crédito para vender. Segundo o presidente da CDL, os programas de análise não vetam o acesso ao financiamento, mas estabelecem limites de endividamento por perfil de consumidor – o principal não é o quanto se ganha, e sim o percentual da renda do comprador que será comprometido com as parcelas.

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