Como no futebol, peão de rodeio estuda 'adversário' na arena

Como no futebol, peão de rodeio estuda 'adversário' na arena

Atualizado: Quinta-feira, 26 Agosto de 2010 as 8:28

Os técnicos de futebol costumam estudar as características dos outros times para não serem surpreendidos em jogos decisivos. Com os peões de rodeio acontece algo parecido. Enéias Barbosa Alves, de 21 anos, campeão do Circuito Barretos de Rodeio no domingo (22), assiste a DVDs de outras competições de olho em touros que podem ser seus próximos “adversários” na arena.

“Tenho bastantes DVDs e vejo muitos vídeos de rodeio”, conta o jovem, sobre o que costuma fazer em seu tempo livre. Ele explica que os touros têm “estilos” diferentes de pulos. Por isso, conhecê-los pode fazer a diferença. “Fico concentrado na hora que meu boi entra no brete para tentar lembrar se eu já pulei nele”, afirma. Depois de cada montaria, ele olha para o telão e assiste à reprise, para avaliar o que podia ter feito melhor.

No domingo, Enéias Alves embolsou R$ 30 mil em Barretos. Apesar da pouca idade, o peão já foi campeão de quase 30 competições e ganhou mais de R$ 1 milhão em prêmios. O próximo desafio é o rodeio internacional de montaria em touros na mesma Festa do Peão de Barretos, que vai pagar US$ 100 mil no próximo fim de semana. O jovem compete desde os 15 anos. Ele começou a montar por causa de um vizinho cujo pai era dono de touros de rodeios. Para se preparar para as competições, ele corre cerca de oito quilômetros todas as segundas e quartas-feiras. Também anda de bicicleta para fortalecer as pernas. Ele participa de rodeios quase todos os fins de semana.

Muitos peões sofrem lesões por causa da força necessária para se manter sobre o touro durante oito segundos – se cair abaixo desse tempo, o competidor nem recebe nota. Para amenizar as dores, Enéias diz que também recorre ao animal. “Quando estou com a perna meio doída, eu ando no meu boi. Já tive distensão que melhorou andando nele.” Além de concentração, o peão conta outros pontos necessários para a montaria. “A gente precisa ter bastante técnica, agilidade e prestar atenção na cabeça do animal, para saber para que lado ele vai virar”, conta. A coluna precisa estar reta para manter o equilíbrio e o peão não pode se afastar da corda que envolve o corpo do animal. Uma das mãos segura essa corda e a outra fica para o ar, sem tocar em nada.

Família

Alves mora com os pais em um sítio no município de Sales, a 435 km da capital paulista. Ele diz que costuma investir o dinheiro dos prêmios em terras. Apesar do bom desempenho na profissão, os pais não ficam tranquilos a ponto de acompanhar os desafios. “No começo foi difícil, mas agora meus pais se acostumaram. A minha mãe foi me assistir uma vez, mas ficou com medo”, recorda.

Muito concentrado, o jovem peão diz que não perde o foco na competição com eventuais paqueras durante as festas. “Eu vou para os rodeios só para montar mesmo.”

Postado por: Thatiane de Souza

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