'É como se o mundo caísse na cabeça', diz irmão de motorista morto

'É como se o mundo caísse na cabeça', diz irmão de motorista morto

Atualizado: Terça-feira, 29 Novembro de 2011 as 1:26

O irmão do motorista morto após ter um mal súbito, bater em carros e motos e ser espancado na Zona Leste de São Paulo, no domingo (27), afirmou nesta terça-feira (29) que a sua família está muito abalada. “É como se o mundo caísse na cabeça da gente”, disse o aposentado Elson Garcia Alves, de 56 anos. Edimílson dos Reis Alves, de 59 anos, foi enterrado nesta terça-feira (29), no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, também na Zona Leste.

O aposentado disse que viu o irmão na última vez no dia em que o motorista morreu. “Ele foi lá em casa porque a gente ia fazer uma festa no sábado para comemorar o aniversário dele”, disse ao G1 , por telefone. De acordo com o aposentado, muita gente acompanhou a cerimônia. Dois ônibus com colegas de trabalho do motorista foram até o cemitério. Motoristas e cobradores de duas linhas Via Sul (linha 314J/10 – Pq. Santa Madalena - Metrô Liberdade e linha 4222/10 – Pq. Santa Madalena – Pça. João Mendes) paralisaram as atividades nesta terça para participar do enterro.

A Polícia Civil busca câmeras que tenham registrado o espancamento de Alves. Segundo o delegado Antonio José Pereira, os vídeos podem ajudar a identificar os responsáveis pela agressão ao motorista. Ele morreu a caminho do hospital. Ninguém foi preso.

Após colidir em três carros e em três motos, uma passageira puxou o freio de mão, o que fez com que o veículo parasse. Uma cobradora, que não quis ter o nome divulgado, voltava pra casa de carona no ônibus. Ela disse que o motorista passou mal ao sair de um ponto.“Quando ele não fechou a porta, eu já achei estranho, porque ele não é de andar de porta aberta. Mas aí quando eu vi que ele não desviou do carro, falei: ‘Ele está passando mal’. Aí foi que eu comecei a gritar para o cobrador também me ajudar porque ele não estava bem.”

Além de atingir os outros veículos, o ônibus atropelou um rapaz de 26 anos. Ele teve fratura exposta do dedo do pé e se recupera de uma cirurgia no Hospital Geral de São Mateus. Alguns carros amassados pertencem às pessoas que participavam do baile funk. Segundo a polícia, os frequentadores da festa acharam que se tratava de mais um caso de embriaguez ao volante e partiram para a agressão.

“Eles começaram a entrar no ônibus e a quebrar tudo. Tacaram pedra. De tudo quanto era lugar vinha pedra. Tamanha brutalidade. Puxaram ele pela janela do ônibus, saíram arrastando ele”, disse a cobradora. Ainda não se sabe se Edimílson morreu pelo mal súbito ou pela agressão.

“Isso não é jeito do ser humano tratar o outro. A gente quer ver os culpados na cadeia. simplesmente é isso. Não foi todo mundo valente? Cadê agora as pessoas?”, disse, indignada, Eunicie dos Santos, prima do motorista. Edmilson trabalhava havia mais de 20 anos e completaria na terça-feira (29) 60 anos de idade.        

veja também