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Concurseiros de classe média mudam perfil da Polícia Civil do Rio

Concurseiros de classe média mudam perfil da Polícia Civil do Rio

Atualizado: Quarta-feira, 26 Maio de 2010 as 8:52

A Polícia Civil do Rio está mudando de cara. Com a abertura de concurso para preencher os quadros de investigadores e delegados, a instituição passou a atrair jovens de classe média alta, com boa formação acadêmica e um entusiasmo que há muito não se via nos corredores das delegacias.

"É uma boa chance para entrar no mercado, sem dúvida. Mas a polícia passou a atrair gente com esse perfil não só pela estabilidade do emprego, mas por apresentar uma proposta renovadora, com um foco mais humanista de atendimento ao cidadão. É um desafio que atrai jovens de boa formação e ajuda a oxigenar a instituição", afirma a delegada Fabíola Willis, diretora da Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol).

Aos 33 anos, oito de polícia, Fabíola é uma das caras dessa nova geração de "tiras". Em sua sala, chama a atenção o mural com fotos da filha de 3 anos e alguns mimos sobre a mesa, como canetas cor de rosa com carinhas de bichinhos.

Com desenvolvutra, Fabíola  avisa que não permite interferência na credibilidade de seu trabalho, procurando agir como se fosse executiva de uma grande corporação.

"Quem entra para a polícia hoje é um profissional que não tem uma visão apenas operacional. É um pessoal que está ligado com o mundo, tem interesse em fazer uma pós, um mestrado, em viajar e se atualizar sobre tudo", garante.

O juiz federal William Douglas, professor e autor de 28 livros sobre técnicas e dicas de preparação para concursos, além de ex-delegado de Polícia Civil, concorda que está havendo uma mudança positiva da instituição.

"Bons policiais nós sempre tivemos. Mas o perfil está mudando para melhor. Hoje o trabalho tem mais foco em investigações que apostam na inteligência. É uma polícia mais eficiente, que apresenta resultados. É preciso, no entanto, não esquecer da valorização da carreira. É preciso pagar bem para selecionar bem", ressalta.

Policiais de seriados americanos

Os inspetores Vinicíus Nascimento, 31, e Aline Grassano, 28, da última turma do concurso de 2008, também estão nesse grupo - elogiados pela boa formação e juventude - que poderia fazer parte do elenco de seriados americanos como Without a Trace ou Crime Scene Investigation (CSI).

Formado em direito, Vinicius trabalhou como advogado durante quatro anos até ingressar na polícia. "Meus pais são advogados, mas sempre apostei na minha vocação de que seria um policial".

Aline formou-se em odontologia, mas não dispensava um filme policial. "Mesmo contra a vontade da minha família, que sempre se preocupa com os riscos da profissão, nunca tirei da cabeça a ideia de que um dia conseguiria entrar para a polícia. Estou aqui desde janeiro e não me arrependo", revela.

A delegada Fernanda Delgado, 31, que já morou na Inglaterra e fala três idiomas, é outra referência dessa nova polícia. Filha de uma procuradora de justiça, ela está há 8 na polícia e já passou por várias delegacias.

Programa para atender melhor o cidadão

"Engraçado é que as pessoas chegavam para mim e falavam: "Você não tem cara de policial. Seu perfil é de advogada". Havia um estigma negativo do profissional da polícia que, felizmente, está mudando para melhor", afirma. "O nosso foco hoje é o de aproximação com a sociedade. Nós somos prestadores de serviço e precisamos conquistar a confiança das pessoas".

Um dos alvos da nova filosofia é o programa da Delegacia de Dedicação ao Cidadão (Dedic), que já foi implantado em oito unidades. A proposta é atender a população em casa. Para isso, a pessoa pode procurar uma delegacia perto de seu domicílio, ligar ou acessar o site e agendar uma hora com os agentes.

"Para termos qualidade no trabalho é preciso um policial civil exclusivo. O Dedic é um programa que mostra resultados bastante positivos e o novo sistema de trabalho adotado pelos agentes, de oito horas diárias, contribuiu para isto", explica o chefe de Polícia Civil Allan Turnowski.

Na foto: A diretora da Acadepol, Fabíola Willis (segunda à esq.) e a nova equipe da polícia

Foto por Aluizio Freire

Por Aluizio Freire

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