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Confira as estreias desta sexta-feira nos cinemas

Confira as estreias desta sexta-feira nos cinemas

Atualizado: Sexta-feira, 21 Janeiro de 2011 as 1:45

ZÉ COLMEIA - O FILME

(Yogi bear 3D) EUA, 2011 / Animação

Direção: Eric Brevig

Elenco: Dan Aykroyd, Justin Timberlake

Crítica: "Zé Colmeia - O filme" passa longe da criatividade e do carisma dos personagens do desenho original, que alegraram a infância de muitas gerações de espectadores.

No filme, o urso Zé Colmeia e seu companheiro Catatau interagem com atores. O que começa com o tradicional roubo de cestas de piquenique transforma-se, no filme, em políticos corruptos e num romance entre o guarda Smith e uma documentarista. Os dois ursos são praticamente figuras decorativas de uma história que fica bem abaixo, em termos de originalidade, de qualquer episódio do desenho. A subtrama de ecologia e preservação da natureza não convence.

Com um humor que, algumas vezes, beira o grotesco, "Zé Colmeia - O filme" passa longe da sagacidade que era uma marca do desenho original. Os elementos humanos não funcionam muito bem, são desprovidos de humor e a química entre a cineasta e o guarda é praticamente nula. Sobram, então, tarefas demais para Zé Colmeia e Catatau. Salvar um parque pode ser fácil. Já salvar um filme inteiro é um pouco mais complicado. (ALYSSON OLIVEIRA, do Cineweb)

'O TURISTA'

(The tourist) EUA/França, 2010 / Ação

Direção: Florian Henckel von Donnersmarck

Elenco: Johnny Depp, Angelina Jolie

Crítica: "O turista" é uma promissora reunião de talentos e atrações: os astros Angelina Jolie e Johnny Depp juntos pela primeira vez na tela; três vencedores do Oscar nos bastidores - o diretor e os roteiristas Christopher McQuarrie e Julian Fellowes. Os cenários não poderiam ser mais bonitos - Paris e Veneza. Então, por que não temos o filme elegante e divertido que prometia ser?

Elegância, a bem da verdade, não falta ao figurino de Elise Clifton-Ward (Angelina Jolie), uma bela mulher que está sendo atentamente vigiada pela Scotland Yard em Paris. O motivo é seu ex-amante, que deu um golpe num banqueiro gângster e sumiu com centenas de milhões. Todo mundo quer pegá-lo e sabe que a bela mulher é a melhor pista. Num determinado momento o esquivo ladrão manda notícias - e instrui, por carta, a amada a pegar um trem para Veneza, onde Elise conhece o personagem de Johnny Depp, um professor de matemática em viagem de férias, e o envolve na trama.

Os cenários luxuosos, bem como o próprio figurino e as jóias de Jolie, assim como a beleza estonteante da estrela, jogam a favor de encher os olhos do público, quem sabe, distraindo-o da falta de ritmo da aventura e da ausência de rigor geográfico de certas sequências. A grande surpresa final se revelará não ser tão grande assim, apenas inevitável. E o cinema fica à espera de um melhor encontro entre Jolie e Depp. Desta vez, não valeu. (NEUSA BARBOSA, do Cineweb)

'BRASIL ANIMADO 3D'

(idem) Brasil, 2011 / Animação

Direção: Mariana Caltabiano

Crítica: Finalmente o cinema brasileiro entra na era do 3D com "Brasil animado", que estreia em circuito nacional. Combinando animação com cenas de paisagens brasileiras, o longa faz um passeio pelo país seguindo as figuras do empresário Stress e do cineasta Relax, dois cachorros que procuram o Grande Jequitibá Rosa - uma raridade, a árvore mais velha do Brasil.

Esse é um filme abertamente voltado para o público infantil, repleto de personagens e animais fofinhos, e um colorido vibrante - boa parte disso, cortesia da fauna e da flora nacional. Os cantores Ed Motta e Simoninha participam da trilha sonora, que é bem marcante, combinando diversos ritmos brasileiros.

O 3D não é do tipo agressivo, que dá a impressão de "jogar" coisas na cara do público. A ilusão do efeito está mais na profundidade de campo e na textura que a diretora dá aos cenários e personagens. Mesmo não caindo em didatismo excessivo, "Brasil animado" é um filme bem explicadinho - ou seja, quer se comunicar com seu público, passar informações, e faz isso sempre com um humor bem delicado. (ALYSSON OLIVEIRA, do Cineweb)

'BIUTIFUL'

(idem) Espanha/México, 2010 / Drama

Direção: Alejandro González Iñárritu

Elenco: Javier Bardem

Crítica: Integrante da pré-lista de nove filmes que disputam as vagas de concorrentes ao Oscar de filme estrangeiro em 2011, o drama mexicano do diretor Alejandro González Iñárritu ("Babel") "Biutiful" reúne alguns dos temas da filmografia do diretor - como a morte, o espiritualismo, além de um denso mergulho no problema da exploração do trabalho de imigrantes clandestinos na Europa.

É numa Barcelona sombria que o protagonista, Uxbal (Javier Bardem), luta pela sobrevivência. Apesar de europeu, ele não tem outra escolha a não ser tornar-se agenciador do trabalho de imigrantes chineses e africanos para sustentar seus dois filhos pequenos. A extrema dedicação às crianças, aliás, é um dos traços que redime este homem extremamente dividido.

A morte interfere na trajetória de Uxbal em mais de um momento, quando ele se vê diante de uma grave enfermidade, e também pelos riscos que seus trabalhadores correm diariamente pelas precárias condições de alojamento e trabalho. Paralelamente, o personagem tem um dom mediúnico, com o qual não lida muito bem - embora eventualmente e a contragosto dê consultas e receba dinheiro por isso. (NEUSA BARBOSA, do Cineweb)

'LIXO EXTRAORDINÁRIO'

(Wasteland) Brasil, 2010

Direção: João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker

Crítica: Vencedor de prêmios de público nos festivais de Sundance e Berlim em 2010, e integrante da pré-lista de 15 documentários da qual sairão os cinco indicados ao Oscar da categoria, "Lixo extraordinário" é um filme marcado pela polêmica. Filmada ao longo de três anos, a obra acompanha um projeto social do consagrado artista plástico brasileiro Vik Muniz com catadores do lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (RJ) - considerado o maior da América.

A câmera revela as montanhas de lixo e o ambiente desolador, em que seres humanos dividem a cena com urubus. Só de olhar, pode-se imaginar a extrema dificuldade da vida de quem arranca dali objetos destinados à reciclagem, gerando renda para aproximadamente 3 mil catadores.

O que há de mais consistente a criticar em "Lixo extraordinário" está num certo desequilíbrio, provocado pela intervenção de três diretores diferentes, ao longo dos três anos da produção. Quando entram em cena os catadores, o filme cresce. São personagens de extrema grandeza humana e não há como negar que a câmera capta um processo de crescimento pessoal deles, ao serem expostos à arte e novas oportunidades - ainda que não se conheça completamente o que o futuro lhes reserva.

O grande problema, ao que tudo indica, foi que os produtores ingleses insistiram demais em ter um produto de circulação internacional - e a eles podem ser creditadas decisões equivocadas, que trabalham contra o filme, como deixar uma conversa em inglês entre Vik Muniz, sua mulher e um assessor, que faz o artista parecer pedante. (NEUSA BARBOSA, do Cineweb)

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