Confira as estreias no cinema de 07/01/10

Confira as estreias no cinema de 07/01/10

Atualizado: Sexta-feira, 7 Janeiro de 2011 as 10:50

ATENÇÃO: As críticas a seguir são baseadas no julgamento da equipe de jornalistas do G1 e das agências de notícias parceiras do portal.

'ENROLADOS'

(Tangled)

EUA, 2010 / Animação

Direção: Nathan Greno e Byron Howard

Crítica: Em 1937, quando animação ainda era chamada de desenho, a Disney lançava “A Branca de Neve e os sete anões”, filme que revolucionou o mercado do cinema e até hoje serve de modelo para quem produz longas nesse formato.

74 depois, estreia o longa número 50 do estúdio, “Enrolados”, que tem a difícil missão de provar ao mercado (e ao público) que a Disney ainda é referência dentro do gênero, hoje dominado pelos computadores gráficos da Pixar, DreamWorks e Blue Sky.

A história de “Enrolados” é uma versão moderna do conto da Rapunzel: Flynn Rider (voz de Luciano Huck na versão dublada) é um ladrão atrapalhado e com pinta de galã que entra em uma torre para fugir. Lá dentro é raptado por uma bela jovem de longos cabelos dourados mágicos – 21 metros em específico, orgulha-se a Disney. Com razão: a realidade das madeixas impressiona.

Até 20 anos atrás, era comum assistir a um desenho qualquer e elogiá-lo da seguinte maneira “parece da Disney”. Desde os anos 2000, o elogio passou a ter a Pixar como referência. Com “Enrolados” é assim - e não há nada de mal nisso. (GUSTAVO MILLER, do G1)

'ENTRANDO NUMA FRIA MAIOR AINDA COM A FAMÍLIA'

(Little Fockers)

EUA, 2010 / Comédia

Direção: Paul Weitz

Elenco: Ben Stiller, Robert De Niro

Crítica: Apesar de ter se transformando em sucesso de bilheteria no seu país, a continuação foi mal recebida pela crítica norte-americana, o que explica em parte a opção da distribuidora do filme no Brasil, a Paramount, de não exibi-lo para a imprensa nacional antes de sua estreia.

A crítica do jornal 'The New York Times', Manohla Dargis, abre seu texto dizendo que 'todas as boas piadas foram usadas nos dois primeiros filmes. Os espertinhos por trás desta sequência de uma trilogia desnecessária decidiram trazer um pouco de vômito, expelido pela boca de uma criança pequena como se fosse um hidrante'. E termina afirmando que 'De Niro parece não se importar mais em satirizar seu próprio legado. E Stiller já não está mais a fim de rir'.

No novo filme, De Niro, o patriarca Jack, ex-agente da CIA, procura um sucessor para o seu posto familiar. Ele não acredita que seu genro, Greg (Stiller), que é enfermeiro, seja uma opção. Outro problema é a chegada de Andi Garcia (Jessica Alba, de 'Machete'), uma garota que dá em cima de Greg e coloca seu casamento em perigo. (ALYSSON OLIVEIRA, do Cineweb)

'ALÉM DA VIDA'

(Hereafter)

EUA, 2011 / Suspense

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Matt Damon, Cécile de France

Crítica: Aos 80 anos, completados em maio de 2010, Clint Eastwood vive uma década de ouro como diretor.

Especialmente nestes anos 2000, muito embora outros de seus trabalhos impecáveis e premiados, como 'Os imperdoáveis', pertençam aos anos 1990.

Sua excelente forma profissional pode mais uma vez ser comprovada no drama 'Além da vida' - no qual o cineasta se arrisca num tema muito escorregadio, a vida após a morte. Contando com um roteiro do talentoso Peter Morgan (roteirista de 'A rainha' e 'Frost/Nixon'), Clint costura três histórias, em três diferentes locais do mundo.

A inteligência e sensibilidade do espectador são despertadas lentamente para interessar-se por essas pessoas e outras que as cercam. Flui naturalmente a curiosidade de saber como e quando se encontrarão - porque não é preciso ser médium para perceber que isso acontecerá. (NEUSA BARBOSA, do Cineweb)

'INCONTROLÁVEL'

(Unstoppable)

EUA, 2010 / Ação

Direção: Tony Scott

Elenco: Denzel Washington

Crítica: O diretor britânico Tony Scott ('Chamas da vingança') põe para funcionar o melhor de sua experiência para dirigir 'Incontrolável', uma atraente aventura de ação sobre um trem fora de controle, que atravessa o estado da Pensilvânia e coloca a vida de milhares de pessoas em risco pelo caminho.

O roteiro de Mark Bomback ('Duro de Matar 4.0') tira partido dos contrastes. Lado a lado, estão dois protagonistas, um veterano, negro e prudente, Frank (Denzel Washington), outro, jovem, branco, inexperiente e impulsivo, Will (Chris Pine). Tudo gira em torno desses opostos, o novo e o velho, o ultramoderno e o antigo, o mundo globalizado e a camaradagem, a família estável e a família em crise. Novidade? Claro que não. Mas a segurança de Scott no manejo do material resulta eficiente.

Scott cria genuína tensão com uma montagem nervosa, que tira partido de tudo o que a fotografia contrastada de Ben Seresin soube fazer. O diretor também acelera os batimentos do espectador ao criar suspense sobre a sobrevivência dos dois candidatos a heróis, que se torna duvidosa em vários momentos da trama, levando a expectativa até o fim. Sem dúvida, 'Incontrolável' prende a atenção, diverte e tem humor sempre que possível. (NEUSA BARBOSA, do Cineweb)

'A ÁRVORE'

(L'abre)

Austrália/França, 2010 / Drama

Direção: Julie Bertuccelli

Elenco: Charlotte Gainsbourg, Marton Csokas

Crítica: Para Charlotte Gainsbourg, ser mãe é padecer no paraíso. Ao menos no cinema. Depois da mãe sofredora, e bota sofrimento nisso, em 'Anticristo', de Lars Von Trier -- que lhe rendeu o prêmio de interpretação feminina em Cannes 2009 --, ela encarna outra vez a figura materna no limite em 'A árvore'.

As primeiras cenas mostram a relação familiar da personagem de Charlotte, Dawn, e o marido, Peter (Aden Young), e os filhos Tim (Christian Bayers), Lou (Tom Russell), Simone (Morgana Davies) e Charlie (Gabriel Gotting). Essa espécie de prólogo dura o suficiente para registrar o clima harmonioso da família e a relação próxima entre Simone, a filha mais nova, e o pai, que morre de um ataque do coração.

Essa ruptura transforma a família, ao ponto de que a pequena Simone passa a acreditar que o pai está dentro de uma grande figueira que há na frente da casa familiar. A ausência destroi emocionalmente os personagens, que precisam se recompor. A princípio, Dawn não se importa com a relação próxima da filha com a árvore. Mas a obsessão da menina ganha contornos mais sérios à medida em que Simone se isola cada vez mais, apegando-se à arvore. Ganhando ares de um realismo fantástico, é como se a árvore passasse a ter um 'comportamento' estranho.

'A árvore' é um filme de emoções verdadeiras e que encontra força nas interpretações -- especialmente de Charlotte e da pequena Morgana. (ALYSSON OLIVEIRA, do Cineweb)

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