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Conselheiro diz receber ameaças por denunciar abuso em presídio no PA

Conselheiro diz receber ameaças por denunciar abuso em presídio no PA

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 4:42

O conselheiro Benilson Silva, responsável pelo caso da garota de 14 anos que fugiu após ficar 4 dias sendo abusada por detentos dentro de uma colônia penal no Pará, diz que está recebendo ameaças de morte pelo telefone por ter denunciado o fato à imprensa e às autoridades.

A menina fugiu da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, na zona rural do município de Santa Izabel do Pará (a 50 km de Belém) no sábado (17) afirmando ter sido aliciada por uma mulher que a colocou dentro da unidade, onde sofreu abuso sexual de vários presos. Segundo a garota denunciou à Polícia Civil, outras duas adolescentes também estavam com ela na unidade.

“Recebi já três telefonemas de ameaças, falando que iam me matar. Ligaram direto para o meu celular de um número restrito. Eu sou o alvo porque fui o primeiro a fazer as denúncias sobre o caso”, disse Benilson ao G1.

Ele registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Ordem Política e Social de Belém. A assessoria de imprensa da Polícia Civil afirma que investiga as ameaças e que uma força-tarefa com vários delegados tenta descobrir como a garota entrou na unidade penal e quem seria aliciadora.

Benilson diz que não sabe quem seria o autor das ameaças. “Podem ser de detentos ou familiares de presos, que foram atingidos pela denúncia, ou até mesmo funcionários da unidade, que foram punidos e demitidos pelo governo depois que o caso veio à tona”.

'Não vou desistir'

O conselheiro tutelar diz que trabalha há menos de dois meses no cargo e este é o primeiro caso que assume. “Não vou desistir, vou seguir em frente. Agora, que denunciei o caso, vou até o fim. Esta é a nossa rotina, lidar com famílias problemáticas, com casos de abusos”, afirma.

A menina está em um abrigo da prefeitura e, segundo Benilson, não sabia que iria ser levada para um presídio e ser abusada sexualmente. “Ela conta que a mulher a legou até a mata atrás da unidade, onde teve o primeiro contato com os presos, e de lá, levada para dentro do presídio. Para mim, ela contou que não sabia para onde iria e nem que seria estuprada”, afirma o conselheiro.

Ele diz também que, apesar do governo afirmar que revistas realizadas por agentes no sábado não encontraram outras garotas na unidade, alguns agentes lhe informaram que mulheres haviam sido localizadas na colônia penal A informação não foi confirmada pela Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) do Pará.

No sábado (17), quando o caso foi divulgado, 20 funcionários da unidade prisional, além do diretor da Colônia, foram exonerados. Na terça-feira (20), o major Francisco Mota Bernardes também foi exonerado do cargo de superintendente da Susipe.

Adolescente que sofreu abuso em presídio está sob guarda do Conselho Tutelar (Foto: Tarso Sarraf/Agência Estado)     Aliciadora

O delegado Fabiano Amazonas, que apura  caso, investiga quem foi a mulher que aliciou as meninas para que ingressarem irregularmente no presídio e onde estão as outras garotas.

A Polícia Civil também trabalha para identificar os presos que participaram dos estupros. Segundo a Susipe, os investigadores ainda não solicitaram o depoimento de detentos sobre o caso.

O novo superintendente anunciou que até o fim da semana um novo diretor deverá ser designado para a lotação. “O primeiro passo será tomar pé da situação para podermos designar esse novo diretor para a colônia. Também assumo o compromisso de intensificar a preparação dos nossos agentes prisionais”, disse Barbas.Em uma área de 120 hectares, a colônia Heleno Fragoso abriga atualmente 311 internos, divididos em oito alojamentos

Vista aérea da colônia penal onde adolescente sofreu abusos de presos (Foto: Tarso Sarraf/AE)

  Segurança

Relatórios endereçados à Susipe enviados pela direção da colônia penal antes dos presídios mostram históricos de fugas, a entrada de mulheres nos alojamentos e suspeitas de tráfico de drogas e de armas.

No inicio do mês, a direção da unidade informou em um memorando que adolescentes frequentavam a colônia e que não iria permitir que a unidade se tornasse uma “casa de prostituição”. O documento também alerta sobre a existência de armas de fogo nos alojamentos e diz que os agentes prisionais estavam sendo ameaçados por detentos. No ultimo domingo (18), após uma revista, um dos agentes prisionais anotou no livro de ocorrências a presença de seis mulheres no alojamento.          

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