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'É constrangedor', diz delegado de delegacia lacrada no RJ

'É constrangedor', diz delegado de delegacia lacrada no RJ

Atualizado: Segunda-feira, 14 Fevereiro de 2011 as 3:47

"É constrangedor", resumiu o delegado Claudio Ferraz, sobre o fato de a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que comanda, ter sido lacrada pela chefia de Polícia Civil. Em entrevista ao RJTV, o chefe de polícia, Allan Turnowski afirmou haver documentos originais, com a assinatura de Ferraz, que reforçam denúncias de favorecimento a empresas e prefeituras com suspeitas de fraudes em licitações no estado do Rio.

"Eu não tenho o que falar. Ele [Allan Turnowski] tem seus motivos pra fazer essa questão [lacrar a Draco]. Mas é claro que é um constrangimento", afirmou, ao deixar o prédio da unidade. Apesar de ter ficado cerca de quatro horas no local, junto com o corregedor de polícia, Gilson Emiliano Soares, Ferraz disse que não foi à delegacia por causa do episódio.

" Não sei de apreensões, documentos... Sei que os acessos da delegacia estão proibidos. Eu estou aqui na delegacia para resolver outro assunto, que não tem total ligação com essa busca", reiterou ele, que negou ter alguma rivalidade com Turnowski.     Provas documentais

Durante a entrevista, o chefe de polícia afirmou que foram encontradas provas documentais de desvio de conduta de policiais da Draco. A suspeita é de recebimento de vantagens indevidas para arquivar investigações.

“No fim de semana, empresários fizeram uma denúncia de que, na Draco, existiriam problemas com a lei de licitação, envolvendo desvio de conduta de policiais”, afirmou Turnowski. “Então, para preservar a busca desses documentos, a Draco foi lacrada e, nesta segunda, foram encontrados dois documentos originais, com o mesmo número, e com a assinatura do delegado e do inspetor. Por isso, a denúncia passa a ter um valor muito maior”, acrescentou.     Operação Guilhotina

A ação acontece dois dias depois da Operação Guilhotina, realizada na última sexta-feira (11) pela Polícia Federal, na qual 38 dos 45 mandados de prisão já foram cumpridos. Deste total, 30 presos são policiais militares ou civis, que ajudavam traficantes, milicianos e contraventores, com informações sobre as operações policiais, negociando material de apreensão e até dando proteção a criminosos. O chefe de Polícia Civil chegou a ser chamado para prestar esclarecimentos.

Há boatos de que Ferraz, que teria contribuído com a Operação Guilhotina, seria um dos nomes de confiança cotado para uma possível substituição de Turnowski. Segundo o corregedor, a partir desta semana, passa a valer uma medida do secretário José Mariano Beltrame determinando que a Draco fique diretamente subordinada à Secretaria de Segurança, e não mais à chefia de Polícia Civil.      

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