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Consumidores relatam medo para compras no Brás durante protestos

Consumidores relatam medo para compras no Brás durante protestos

Atualizado: Quinta-feira, 27 Outubro de 2011 as 12:06

Andreia disse que terá que voltar outro dia ao Brás

para terminar compras (Foto: Juliana Cardilli/G1)   Consumidores que tentavam fazer compras nas ruas do Brás, no Centro de São Paulo, em meio ao terceiro dia de protestos de camelôs na região, relataram na manhã desta quinta-feira (27) medo e dificuldades para cumprir suas programações. Com manifestações dos ambulantes nas ruas – realizando passeatas desde o início da manh㠖 muitas lojas estavam fechadas, enquanto outras abriam apenas em alguns momentos. A forte presença da Polícia Militar e o clima de tensão com os manifestantes também incomodavam os consumidores.

Dona de uma loja em Jaú, no interior de São Paulo, Andreia Elaine Rodrigues, de 31 anos, contou ter ficado 30 minutos escondida dentro de uma loja com medo de confusões durante uma das passeatas dos camelôs. “A gente fica tenso, não sabe o que vai acontecer. Tem muitas lojas fechadas. Estou tentando pegar o que dá, mas acho que vou ter que voltar. Até agora só comprei metade do que precisava e, normalmente a essa hora, eu já estava descansando”, contou ela no meio da manhã.

A lojista também relatou que o ônibus que saiu de Jaú na noite de quarta-feira (26) levando compradores para o Brás veio mais vazio. “O ônibus quase não veio, muita gente desistiu de vir depois que viu o que está acontecendo”, afirmou.   Outra que teve problemas para fazer suas compras nesta manhã foi a comerciante Neuza de Fátima Pereira, de 43 anos. Ela mora em Poços de Caldas, em Minas Gerais, e vem cerca de duas vezes por mês a São Paulo para fazer compras no Brás. “Ficamos com um pouco de medo, mas resolvemos vir mesmo assim. Mas está difícil, se eu soubesse que estava assim, não teria vindo. A gente não consegue fazer compras sossegado”, contou.

Neuza também não havia conseguido comprar o que pretendia – no meio da manhã, não havia adquirido nem metade do pretendido. “Estamos correndo para fazer as compras. Eu vim para comprar R$ 3 mil, até agora só gastei R$ 800”, afirmou ela, que volta ainda nesta quinta para casa.

Neuza (direita) e amiga vieram de Poços de Caldas

e não conseguiram fazer muitas compras (Foto:

Juliana Cardilli/G1) A vendedora Claudia Lopes saiu de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, ainda durante a madrugada com esperança de finalmente conseguir fazer suas compras – ela iria vir na terça-feira (25), mas resolveu adiar devido às manifestações. “Logo cedo estava mais tranquilo, as lojas abriram, mas se os camelôs passam, elas fecham. Fiz mais compras na feirinha da madrugada, que ficou aberta.”

Na feira montada no Pátio do Pari, com ambulantes que trabalham de maneira regularizada, a situação era normal nesta manhã. Nas ruas do bairro, as lojas permaneciam abertas enquanto não havia a passagem dos camelôs – conforme eles avançavam em suas passeatas, os comércios baixavam suas portas.

Segundo o tenente coronel Benjamim Francisco Neto, comandante do 7º Batalhão, a PM qualificou 15 pessoas por "obstrução ao trabalho". O boletim de ocorrência registrado peloa própria PM será encaminhado à Polícia Civil para a abertura de inquérito. Ninguém foi detido. "Nós estamos com efetivo para garantir o trabalho, mas os próprios lojistas têm temor de represálias futuras", afirmou Neto.

Nesta quinta, segundo a PM, 650 policiais, incluindo membros da Tropa de Choque, atuavam na região do Brás.

Protestos

Os camelôs protestam desde a noite de segunda-feira (24) contra a ação da Polícia Militar, que passou a impedir a montagem das barracas durante a madrugada nas ruas do bairro. Eles pedem à Prefeitura que possam continuar trabalhando até o fim do ano entre 2h e 6h30, apenas nas calçadas, e que no início de 2012 seja feita uma nova negociação para sua retirada. O prefeito Gilberto Kassab, entretanto, afirmou que vai manter as fiscalizações e que não permitirá o comércio ilegal na região.

A presença da polícia ocorre para garantir que os manifestantes não voltem a bloquear a área e para que os comerciantes legalizados possam trabalhar normalmente. Nos últimos dias, lojistas foram obrigados a manter suas portas abaixadas durante a manhã e houve conflitos com a polícia.

Nesta quarta-feira, policiais usaram bombas de gás e balas de borracha em duas ocasiões para dispersar os manifestantes, quando os camelôs bloquearam totalmente vias de trânsito.

Policiais da Tropa de Choque estão no Brás (Foto: Levi Bianco/News Free/AE)          

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