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Contra enchentes, represa da Sabesp iniciará período de chuvas vazia

Contra enchentes, represa da Sabesp iniciará período de chuvas vazia

Atualizado: Terça-feira, 4 Outubro de 2011 as 2:56

Juliana Cardilli Do G1 SP

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Sabesp faz teste para mostrar vazão na Represa Jaguari (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  A capacidade ocupada da Represa de Jaguari, que fica em Vargem, no interior de São Paulo, deverá ser menor no início do período de chuvas deste ano em relação ao ano passado. Por determinação da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do estado, a represa deverá estar no máximo 70% ocupada em 1º de novembro para poder absorver melhor as chuvas que venham a cair durante o verão. A medida visa diminuir a necessidade de aumentar a vazão da represa, o que agrava os alagamentos na região.     A mudança foi anunciada nesta terça-feira (4) durante apresentação do plano de operação da Sabesp para as represas na temporada de chuvas. No ano passado, segundo a Sabesp, a represa de Jaguari iniciou novembro com 80% da capacidade. Em janeiro, devido ao grande volume de chuva que caiu acima da represa, foi preciso aumentar sua vazão para até 80 metros cúbicos por segundo, o que agravou as enchentes principalmente em Atibaia.

Segundo Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, ter 30% da capacidade da represa livre é suficiente para evitar que seja preciso aumentar a vazão caso o mesmo volume de chuvas seja registrado no próximo verão. “Nós tivemos chuvas bastante intensas [no último verão], que deram vazão de 250 mil litros de água por segundo chegando na barragem, e nós seguramos uma grande vazão. Esses 30% são mais do que suficientes para absorver chuvas nesse nível de intensidade sem termos que dar descarga nas nossas barragens”, explicou. “Mas claro que com as mudanças climáticas podem vir a ocorrer eventos mais extremos.”

Atualmente, a represa está com 73% da capacidade ocupada. Segundo a Sabesp, apenas a vazão necessária para abastecer as cidades da região será suficiente para reduzir o nível no prazo estipulado. Como o inverno foi mais seco que a média, os rios que abastecem os municípios estão mais poluídos, o que dificulta a questão da qualidade da água. As cidades pediram maiores descargas da represa para solucionar esse problema.

Reservatório da Represa Jaguari (Foto: Juliana

Cardilli/G1)

  No caso das represas Atibainha e Cachoeira, que são menores, foi determinado que a capacidade máxima ocupada em 1º de novembro deverá ser de 50% - atualmente elas já estão trabalhando com esse nível. “É uma medida de prevencão para a gente poder absorver eventuais grandes chuvas e contribuir para minimizar as enchentes”, afirmou Massato. “A maior preocupação é com Jaguari. Como ela é a maior, exerce uma função muito importante em regularizar a água do verão e transferir para as represas de Atibainha, Cachoeira e Paiva Castro.”

Massato ressaltou a necessidade de administração do aumento da vazão, pois a água acumulada durante o período de chuvas serve para manter o abastecimento durante o inverno, quando há estiagem. Este ano, especificamente, o grande acúmulo de água no início do ano fez com que as represas mantivessem capacidade adequada durante o inverno, que foi mais seco do que a média histórica. “A água que nós descarregamos é uma água perdida. Nunca mais podemos utilizar, e ela pode fazer falta amanhã”, afirmou.

Avisos

Segundo o diretor da Sabesp, ainda é incerta a previsão meteorológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o volume de chuvas. Por isso, a Sabesp e a Defesa Civil estadual já contam com a possibilidade de um verão semelhante aos três passados, com volumes de água acima da média histórica. Para isso, tentam aperfeiçoar os trabalhos de aviso às prefeituras e comunidades. Neste ano, segundo a Defesa Civil, será realizado pela primeira vez um serviço de alerta para líderes comunitários via mensagem de texto.

Além disso, no caso de abertura emergencial de comportas das represas, como foi necessário em janeiro deste ano, a Defesa Civil pretende alertar as autoridades e moradores com 10 a 12 horas de antecedência.

No início deste ano, prefeituras de cidades como Atibaia e Franco da Rocha reclamaram que não foram avisadas com a antecedência necessária das aberturas das comportas para alertar suas populações – em Atibaia, alguns bairros ficaram alagados por semanas. Isso foi causado pelo grande volume de chuva na cidade e agravado pelo aumento da vazão das represas da região. Em Franco da Rocha, o aumento da vazão da Represa Paiva Castro fez com que a enchente no Centro da cidade, causada pelo transbordamento do Rio Juqueri, perdurasse por dias.

A Sabesp, entretanto, diz que os avisos foram dados e que o aumento da vazão não foi a razão principal das enchentes. O diretor metropolitano da companhia ressaltou que muitos dos moradores afetados vivem em áreas de várzea, sujeitas a alagamentos. “Com as mudanças climáticas os eventos extremos estão ficando cada vez mais fortes. Se a população não está treinada ela vai ficar até o último momento, e pode não conseguir sair. É preciso mudar os paradigmas das populações de áreas de risco”, disse Massato.          

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