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Corpo de Paulo Renato é enterrado em São Paulo

Corpo de Paulo Renato é enterrado em São Paulo

Atualizado: Segunda-feira, 27 Junho de 2011 as 11:23

O corpo do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza (PSDB), morto na noite do sábado (25) aos 65 anos, foi enterrado na manhã desta segunda-feira no Cemitério do Morumbi, em São Paulo, em solenidade que reuniu políticos de diversos campos de atuação. A cerimônia foi solene e silenciosa.

Paulo Renato sofreu um infarto fulminante no hotel onde estava hospedado em São Roque, no interior de São Paulo.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Geraldo Alckmin e os ex-governadores José Serra e Alberto Goldman, além de secretários do governo paulista e dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF), compareceram ao local.

Os políticos enalteceram as contribuições de Paulo Renato para o desenvolvimento da Educação no país.

"Ele ajudou muito a mudar o Brasil. A educação deve muito a Paulo Renato, acima de tudo uma grande pessoa", disse FHC.

Alckmin destacou as metodologias implementadas por ele durante sua atuação à frente do MEC. "Ele criou critérios de avaliação para o ensino. Foi um grande brasileiro."

Serra estava visivelmente emocionado. Ele se referiu a Paulo Renato como um "amigo muito querido". "Uma pessoa muito próxima, muito profunda, alguém que fez coisas muito boas para o país, como a unificação do ensino básico, o Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério] e o Bolsa Escola."

Suplicy, por sua vez, reconheceu a contribuição de Paulo Renato para a elaboração de programas sociais. Ele disse que o ex-ministro foi responsável pela introdução da presença escolar como contrapartida de benefícios a serem concedidos pelo governo.

RESORT

Segundo seu filho, Renato Souza Neto, o tucano havia viajado a um resort e, na noite de sábado, dançava com uma amiga quando começou a passar mal.

"Sentiu tonturas, desmaiou e nos deixou", afirmou o filho. Segundo ele, a morte foi indolor e serena.

Além de Souza Neto, Paulo Renato deixa duas filhas que moram nos Estados Unidos e no México. Ambas estavam em Washington e embarcaram de volta para o Brasil para o enterro.

EDUCAÇÃO

Economista formado no Rio Grande do Sul, no Chile e em Campinas, Paulo Renato ocupou diversos cargos públicos e quadros em agências da ONU (Organização das Nações Unidas).

Antes de assumir o Ministério da Educação, foi durante quatro anos gerente de operações do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em Washington. Seu trabalho mais destacado, no entanto, foi feito nos oito anos em que esteve à frente da pasta de Educação no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Ele ocupou o cargo entre janeiro de 1995 e dezembro de 2002.

Entre os grandes feitos do economista estão a expansão para todo o Brasil do programa bolsa-escola implantado por Cristovam Buarque no Distrito Federal. A política foi depois ampliada e consolidada como o Bolsa Família, uma das principais marcas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

É também na gestão de Paulo Renato a criação do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) e do Fundef, um novo sistema de redistribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental, hoje chamado de Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

REPERCUSSÃO

A morte de Paulo Renato repercutiu durante todo o domingo. José Serra foi um dos primeiros a se manifestar sobre a morte do colega de partido e amigo pessoal. No Twitter, ainda na madrugada de domingo, publicou em seu perfil a seguinte mensagem: "Foi-se Paulo Renato, meu querido amigo, um dos maiores homens públicos do Brasil. Foi um grande secretário e um grande ministro da Educação."

Serra compareceu ao velório no fim da tarde de domingo, para prestar sua última homenagem ao colega de legenda.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também esteve no velório. Na ocasião, ele afirmou que Paulo Renato "mudou a educação no Brasil".

Em nota, a presidente Dilma Rousseff destacou os "relevantes serviços" prestados pelo ex-ministro ao Brasil.

Para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ele foi "o grande responsável pela universalização do acesso ao Ensino Fundamental, com a criação do Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério]. Tem uma enorme contribuição à educação do Brasil".

O também ex-ministro da Educação e agora senador Cristovam Buarque (PDT-DF) se pronunciou sobre a morte de Paulo Renato na rede social por volta das 9h. "Com a morte do Paulo Renato perco um bom amigo e o Brasil perde um competente e dedicado homem público", escreveu Buarque.

O senador defendeu o colega de um internauta que criticou a gestão do tucano à frente do Ministério da Educação. "Não fez a revolução, mas fez o Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério], levou Bolsa Escola p[ara] o Brasil e deu salto no número de alunos nas Univ[ersidades]", afirmou ele.

O atual chefe da pasta, Fernando Haddad, afirmou no velório que "o Brasil perdeu um homem público comprometido com a causa educacional, (...) sobretudo na área da avaliação, da equalização e financiamento com o Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério], que são iniciativas que conferem ao Paulo Renato a estatura de um homem público que deixa um legado para o Brasil".

Segundo Haddad, ambos convergiram e divergiram, "mas sempre com amizade".

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