Cremerj apura contratação de falso médico que atendeu criança

Cremerj apura contratação de falso médico que atendeu criança

Atualizado: Sexta-feira, 13 Agosto de 2010 as 8:31

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu uma sindicância nesta quinta-feira (12) para apurar o atendimento prestado à menina de 5 anos, no Hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. De acordo com a polícia, a criança foi atendida por um falso médico, um estudante de medicina que teria aplicado um anticonvulsivo , e, liberado a paciente desacordada.

A menina está internada em coma desde 19 de julho no Hospital Amiu, em Botafogo, na Zona Sul, com suspeita de maus-tratos. Ela tem uma lesão nas nádegas que, segundo o Instituto Médico Legal (IML), parece uma queimadura

A sindicância do Cremerj vai apurar a responsabilidade da direção técnica do hospital na contratação do estudante. O Conselho explicou que, de acordo com o Código de Ética Médica, o diretor técnico da unidade é o responsável por verificar a regularidade do registro dos médicos a serem contratados.

Antes de dar entrada no Hospital Amiu, a criança passou por outros dois hospitais e recebeu o primeiro atendimento no Rio Mar.

Estudante diz que foi contratado por médica

O estudante de medicina que teria atendido a menina prestou depoimento a polícia na quarta-feira (11).  De acordo com o delegado Luiz Henrique Marques, da  DCAV, ele admitiu que foi contratado por uma empresa terceirizada de propriedade de uma pediatra do Hospital Rio Mar para trabalhar no local. o Hospital Rio Mar informou, por meio de sua assessoria, que a pediatra que seria responsável pela contratação do falso médico foi afastada da unidade. A direção do hospital estuda ainda a possibilidade de processar a médica. Ela trabalhava há 5 anos como coordenadora do hospital. Estudante responderá por 4 crimes

Segundo o delegado, o falso médico confessou ter roubado o registro de um outro profissional, além de aplicar na criança uma dose da substância fenobarbital, indicada para crises convulsivas. De acordo com o policial, o estudante vai responder por tráfico de drogas por ter aplicado uma substância que pode causar dependência química, além dos crimes de exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica e falsidade de documentos públicos.

Luiz Henrique Marques disse ainda que a pediatra responsável pela contratação também vai responder pelos mesmo crimes, já que foi comprovado que ela sabia da existência do falso médico.

Registro profissional de outro médico

O estudante, de 33 anos, cursava o quinto período de medicina, na faculdade Unigranrio, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele usava o nome e o registro profissional do médico André Lins de Almeida. Ele foi ouvido por duas horas e deixou a delegacia com o rosto coberto e sem falar com os jornalistas. O advogado que o acompanhava admitiu que seu cliente não era médico. Em depoimento, André negou conhecer o falso médico e a pediatra do Hospital Rio Mar.

O aluno contou à polícia que a pediatra sabia que ele era estudante e mesmo assim o convidou para trabalhar no Hospital Rio Mar. Segundo o delegado, ele relatou que a pediatra orientou que ele pegasse um registro profisisonal de outro médico e se passasse pelo mesmo.

A pediatra já tinha atendido a menina em uma outra ocasião. Em depoimento à polícia, ainda em julho, ela negou conhecer André e o falso médico.

"Não cogito nem chamar a médica novamente. Pra mim já está mais do que comprovado que ela sabia e era responsável por toda a negociação e contratação do falso médico", afirmou o delegado.

Postado por: Thatiane de Souza

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