Crise na suinocultura pode gerar 5 mil demissões em MT

Crise na suinocultura pode gerar 5 mil demissões em MT

Atualizado: Sexta-feira, 1 Julho de 2011 as 11:11

Produtores reclamam que custo de produção está

muito baixo (Foto: Reprodução)

  A crise no setor produtivo da suinocultura de Mato Grosso pode gerar a demissão inicial de 5.190 trabalhadores do setor somente neste ano. A queda das exportações de carnes em função da desvalorização do câmbio é percursora dos problemas que ganham força com os embargos da Rússia e da Ucrânia nos últimos dois meses. Além dos impasses internacionais, o setor passa por uma crise interna relacionada ao déficit entre o custo de produção e o preço da carne suína cobrado no mercado. Esta última situação pode se agravar se for confirmada uma queda na produção de milho no estado e, consequentemente, a elevação do preço do produto. O grão presenta 70% da ração destinada para a engorda do animal.

Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta quinta-feira (30) destacam que as exportações reduziram 26%, de R$ 42,95 milhões para R$ 31,78 milhões nos primeiros cinco meses deste ano e igual período de 2010. Com este cenário foi constatada uma queda de 16% no número de postos de trabalho, de 32,50 mil para 27,31 mil empregos gerados.

Os produtores também acumulam prejuízos porque o preço do produto (R$ 1,71 por quilo) está 26% menor que o custo de produção (R$ 2,15 por quilo). Desta forma, a relação de troca estabelecida é de uma saca de milho de 60 quilos para cada 10 quilos de carne suína. O diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, afirma que o setor vive um dos piores momentos da história da suinocultura mato-grossense. De acordo com ele, o suinocultor está perdendo cerca de R$ 50 a R$ 70 por animal em função dos preços.

Conforme ele, a atividade precisa de medidas emergenciais no prazo máximo de 60 dias. “Do contrários os prejuízo serão incalculáveis. O analista do Imea, Daniel Latorraca, ressalta que a suinocultura do estado é considerada um setor chave, que está relacionada a outras atividades. De acordo com ele, a decadência da produção de suínos pode arruinar também outras atividades, seja de forma indireta (fornecedores) ou induzida (trabalhadores).

Soluções – O setor acredita que a interversão imediata do governo é a saída para amenizar os prejuízos, afirma o superintendente do Imea, Otávio Celidônio. De acordo com ele, a redução dos impostos relacionados ao custo de produção, como isenção do ICMS na fatura da energia elétrica ou sob o preço dos componentes da ração (fosfato, proteínas, núcleos) é uma das alternativas viáveis. Outro ponto, de acordo com o diretor executivo da Acrismat, é a criação de uma política de subsídio de equalização dos custos. “O setor precisa do preço mínimo do suíno e subvenções que equilibre os preços dos produtos”.

Por enquanto, o suinocultores mato-grossenses comemoram a redução do preço de pauta do produto autorizada pelo Estado.

Nacionalmente, os sinais positivos foram anunciados esta semana pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O primeiro é a conquista de mais um mercado para a carne suína brasileira. O Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca (DAFF) da África do Sul liberou a importação do produto, após seis anos de suspensão dos embarques. Em 2005, focos de aftosa fizeram o país embargar as importações da carne produzida no Brasil.

Outro alívio é a visita de uma comitiva brasileira à Rússia. A viagem está programada para a segunda-feira (4). Na ocasião, será apresentado ao chefe do serviço veterinário russo (Rosselkhoznadzor), Sergei Dankvert, uma lista com 140 frigoríficos nacionais aptos a retomar os embarques imediatamente.

Números

Em Mato Grosso há atualmente 650 produtores, sendo 350 cadastrados pela Acrismat. O plantel reúne mais de 120 mil matrizes, (leitoas reprodutivas). De janeiro a maio deste ano, o estado exportou 6,25 milhões de toneladas de carne suína. Dessas, 89% foram para a Rússia.          

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