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Crítido diz que 'O Solteirão' vale pela atuação de Michael Douglas

Crítido diz que 'O Solteirão' vale pela atuação de Michael Douglas

Atualizado: Sexta-feira, 22 Outubro de 2010 as 10:18

Com Michael Douglas, Susan Sarandon, Danny de Vito, Mary Louise Parker, Imogen Poots, Jena Fischer, Jesse Eisenberg, Richard Schiff.

Outro título nacional errado: o herói não é solteirão, que eu suponho se referir a alguém que nunca casou. Ele é, sim, um solitário, até meio a contragosto, duas vezes divorciado, a última esposa nem vemos, apenas a primeira que é feita com simpatia e discrição por Susan Sarandon.

Esta produção independente tem sido saudada com elogios por causa da interpretação eficiente e autobiográfica (não proposital) de Michael Douglas. Ao mesmo tempo em que ele acertou novamente com Wall Street 2. Na primeira sequência do filme ficamos sabendo que ele, bem-sucedido vendedor de carros usados, faz exame médico e  suspeitam de algo errado.

Resultado: ele nunca mais retorna a qualquer médico e não quer saber de doença ou cura, embora mais tarde vá parar em hospital por outra razão. Será que não teriam feito naquela ocasião exames que indicariam problemas? Uma das falhas do roteiro.

O que parece a vida real é que Douglas, como todo mundo sabe, está lutando contra o câncer atualmente e de certa maneira também tinha obsessões sexuais como o protagonista, que não pode ver uma saia que vai atrás. Posso identificá-lo com o personagem em relação à doença e a médicos, embora seu  passado fique meio obscuro e tenha até saído na capa da revista Forbes que também esteve preso e não se sabe bem o porquê.

Ele namora uma mulher (Parker) que pode ajudá-lo na carreira, mas não resiste quando acompanha a filha dela até uma faculdade de Boston onde havia estudado para ajudar a conseguir uma vaga por lá. Resultado: se comporta mal e toda sua vida desmorona, é rejeitado pela filha que não o deixa ver o neto, o genro o detesta, e  vai ser garçom para um amigo (DeVito também muito humano).

Já deu para ver que não é o tipo do filme que vai deixar você feliz ou otimista com a vida. Pinta o retrato de uma pessoa desagradável, egoísta, por vezes perverso, com quem francamente não gostaríamos de estar ou ser amigo. O que é um desafio enorme para um filme, já que a tendência é se identificar com o herói. Não chega a ser o canalha que é o Gekko, mas fica perto, só que em escala menor.

É um grande elogio a Douglas ver que ele torna o personagem humano e até suportável. O diretor Koppelman escreveu antes Cartas na Mesa e O Juri, além de dirigir Filhos da Máfia. Lieven tem sido seu parceiro como autor e realizador em tudo que faz.

Por: Rubens Ewald Filho

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