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Cuiabá tem 23 casos de agressão e quatro mortes de travestis neste ano

Cuiabá tem 23 casos de agressão e quatro mortes de travestis neste ano

Atualizado: Terça-feira, 28 Junho de 2011 as 11:56

Somente neste ano, 23 casos de violência e quatro de homicídios contra travestis chegaram até o Centro de Referência de Combate à Homofobia de Mato Grosso, vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado (Sedjuh), conforme estimativa divulgada pela entidade. A maioria dos casos de agressão física corresponde à região do Zero Quilômetro, em Várzea Grande, região metropolitana da capital.

A coordenadora do Centro de Referência, Cláudia Ferreira Carvalho, supõe que o número de ocorrências seja bem maior do que o divulgado, já que muitos casos de espancamento e até de homicídio não chegam até a instituição, implantada a partir do Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB (Gays, Lésbicas, Transgêneros e Bissexuais), lançado em 2004.

Os índices são preocupantes na avaliação da coordenadora do Centro de Referência se comparado ao número de habitantes de outras regiões brasileiras e aos registros de casos de agressão às mulheres que também fazem programa. "As mulheres que sofreram agressões dos clientes não tiveram requintes de crueldade, como ocorre com os transexuais", avalia Cláudia Carvalho, ao considerar que o fato de serem travestis é um grande fator de vulnerabilidade.

Segundo ela, a violência contra os travestis chega ao extremo diante da discriminação contra os transexuais. "A sociedade precisa se conscientizar de que eles têm os mesmos direitos que qualquer outra pessoa". Ela reclama ainda que o governo do estado não desenvolve nenhuma política específica de combate à violência contra homossexuais.

Em cerca de 10 dias, dois travestis foram mortos vítimas de agressão em Cuiabá. Eles tiveram os corpos encontrados em um terreno baldio próximo à Lagoa Encantada e a suspeita é de que supostas dívidas com traficantes de drogas tivessem motivado os homicídios. Também há a hipótese de que os responsáveis pertençam a grupos homofóbicos, que têm resistência extrema a homossexuais.

No final da semana passada, um travesti foi espancado por um cliente em um motel de Várzea Grande e ficou gravemente ferido. Por isso, não chegou sequer a registrar ocorrência. Esse caso será acompanhado pelo Centro de Referência de Combate à Homofobia e pela coordenadoria regional da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis.          

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