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Custo de pré-campanha pode chegar a R$ 100 milhões, diz especialista

Custo de pré-campanha pode chegar a R$ 100 milhões, diz especialista

Atualizado: Segunda-feira, 31 Maio de 2010 as 8:50

Os gastos de pré-campanha de cada um dos três principais nomes na disputa pela Presidência da República podem variar de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões, avalia o professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas.

Segundo ele, o valor depende da intensidade da exposição dos pré-candidatos, devido aos custos de viagens e participação em eventos pelo Brasil. Já as campanhas, que começam no dia 6 de julho, podem alcançar os R$ 200 milhões, afirma.

''Esse é um período caro para os partidos. Sem dizer que os custos da campanha subiram. Hoje em dia, ninguém mais trabalha de graça, ainda mais sabendo que outros estão enriquecendo com isso. Foi-se a figura do cabo eleitoral que trabalhava por amor'', afirmou Caldas.

Iniciada em abril, após o prazo que os pré-candidatos tiveram para deixar os cargos públicos que ocupavam, as pré-campanhas ganharam proporções de período eleitoral. Para aparecerem pelo país e até no exterior em palanques estruturados por apoiadores, os pré-candidatos dependem de voos fretados para facilitar seus deslocamentos.

Seguranças particulares, carros alugados e uma equipe formada por assessores de confiança foram adicionados às despesas dos partidos. Enquanto os comitês não são abertos oficialmente, contratos com empresas de propaganda e internet que preparam as campanhas dos candidatos também estão na conta das legendas.

Arrecadação

Diante das despesas acumuladas, as arrecadações também acabaram antecipadas. Nesse período, as doações são feitas em nome dos partidos, uma vez que os depósitos destinados aos candidatos ainda não estão permitidos pela Justiça Eleitoral. Fundo partidário e doações engrossam o caixa das legendas.

De acordo com a legislação eleitoral, os partidos não precisam apresentar recibos à Justiça Eleitoral das doações feitas pelos próprios filiados. O PV, da pré-candidata Marina Silva, já conta com uma equipe de arrecadação formada só para captar fundos para a conta da legenda.

As arrecadações on-line, um método permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em nome dos candidatos no período da campanha, também se antecipou ao período eleitoral. O PV contabilizava, até o final de março, um total de R$ 202 mil depositados diretamente na conta do partido por meio de doações on-line.

Para outro especialista ouvido pelo G1, o professor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UNB) Paulo Kramer, esse tipo de doação é uma forma de driblar a legislação eleitoral.

A legislação estabelece a prestação dos gastos de campanha por meio de conta específica registrada no TSE, mas como o período eleitoral só começa em 5 de julho, após as convenções partidárias que vão oficializar os nomes dos candidatos, as despesas feitas agora ficam como gastos do partido, e não de campanha.

''Os partidos têm utilizado a seguinte conversa com os doadores: 'Se você quer ajudar a campanha do meu candidato, então pode depositar desde agora na conta do partido'. É uma arrecadação que não deixa de ser irregular para as campanhas, que acontecem forçadas pela estrutura política brasileira. Do ponto de vista da transparência, é muito difícil fazer um controle dos recursos que chegam aos partidos durante esse período de pré-campanha'', disse.

O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, afirmou ao G1 que a Justiça eleitoral será rigorosa na fiscalização das contas dos partidos e candidatos na campanha. Sobre os gastos de pré-campanha, no entanto, disse que a análise dependerá de cada caso.

''Por enquanto não temos informações sobre esse tipo de comportamento [doações recebidas por partidos e usadas nas pré-campanhas]. Não sei a que título esses ingressos que os candidatos recebem na pré-campanha serão contabilizados. Só posso analisar isso quando estiver diante de um caso concreto'', afirmou.

Por Iara Lemos e Débora Santos

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