De saída, Dilma diz que não pretende se desvencilhar de governo Lula

De saída, Dilma diz que não pretende se desvencilhar de governo Lula

Atualizado: Quarta-feira, 31 Março de 2010 as 12

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje, dia 31, que não pretende se desvencilhar do governo do presidente Lula agora que entrará em campanha eleitoral. Ela deixou o Ministério da Casa Civil para poder disputar as eleições de outubro.

"Eu não pretendo me desvencilhar do governo do presidente Lula. Participar dele para mim foi um momento muito importante da minha biografia e eu participei em todos os momentos, desde 2005, como chefe da Casa Civil e, muitas vezes, ao longo das horas noturnas que o governo se prolongou nos fins de semana", disse ela.

Dilma negou que sua candidatura seja um voo solo, disse que era um projeto. " Não é um voo solo, é um projeto. Eu me sinto muito fortalecida e apoiada por todos eles", disse.

A ex-ministra falou que está preparada para a corrida eleitoral, muito por conta dos sete anos e meio que esteve no governo. "Eu acho que eu estou preparada na vida para coisas muito mais duras que disputar uma eleição", afirmou. "Difícil mesmo era agüentar a ditadura", completou.

Tom emocional

Dilma adotou um tom muito mais emocional em seu discurso de despedida, hoje, na cerimônia organizada pelo governo no Palácio Itamaraty. No discurso de Dilma, acostumada a citar números e dados de planilhas, não faltaram palavras como sonho, otimismo, fé e alegria.

A pré-candidata do PT à Presidência da República se emocionou várias vezes durante o discurso e ficou com a voz embargada ao dizer que sentia uma "alegria melancólica" por deixar o governo. "Sinto uma alegria melancólica porque estamos saindo do governo que mais fez pelo povo desse país. Sentimos uma estranha alegria triste, mas a alma está cheia de otimismo e fé", afirmou.

Dilma chegou a se desculpar por não adotar o improviso em todo seu discurso. Alegou que não conseguiria um desempenho como o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu terei que fazer um imenso esforço para falar de improviso, mas sei que não vou ser igual ao Lula. Vou seguir uma roteiro. Pode ser que eu o esqueça e me emocione, mas vou tentar", disse a ministra. A secretária executiva da pasta, Erenice Guerra, vai substituí-la.

A ministra lembrou que a oportunidade de estar no governo de Lula significou a realização de um sonho para ela e para muitos de sua geração que passaram pela repressão do regime militar. "O governo do senhor [Lula] é importante porque significou o ápice, a vitória daqueles que lutaram muito e conseguiram vencer. Nós vencemos a miséria, a pobreza, a subvenção, a estagnação, o pessimismo e o conformismo", disse Dilma.

"Viúvos do Brasil que cresceu pouco fingem ignorar que esse país mudou. No nosso governo, o povo não é coadjuvante", acrescentou.

Por: Sofia Fernandes

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