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Declaração de Tarso sobre candidatura de Dilma à Presidência divide opiniões de políticos

Declaração de Tarso sobre candidatura de Dilma à Presidência divide opiniões de políticos

Atualizado: Sexta-feira, 10 Outubro de 2008 as 12

Declaração de Tarso sobre candidatura de Dilma à Presidência divide opiniões de políticos

A preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma eventual candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, em 2010, divide a opinião de políticos da base do governo. No próprio PT há divergências quanto à oportunidade de se lançar o nome da ministra dois anos antes das eleições. Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que Dilma Rousseff é o nome preferido de Lula para sucedê-lo.O senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou que a declaração do ministro não lhe surpreendeu. Apesar de também ser um defensor da candidatura de Dilma Rousseff, o senador considera que seria mais prudente esperar o fim das eleições municipais para só então começar o debate com os partidos aliados.

Essa não é a opinião, entretanto, de petistas como o primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (AC), a líder do partido, Ideli Salvatti (SC), e do governador de Sergipe, Marcelo Déda. Viana, por exemplo, afirma que "é tempo de o PT começar a especular seus nomes". Ele ressaltou que aliados como o PSB já fizeram isso ao colocar o nome do deputado Ciro Gomes (CE) como um virtual candidato à Presidência da República em 2010. Viana acrescentou que a antecipação do nome de Dilma Rousseff como uma possível candidata do presidente em nenhum momento o fragiliza perante os aliados.

Já a líder do PT no Senado disse "não ter qualquer dúvida" de que Dilma Rousseff sempre foi o nome preferido de Lula para a sucessão presidencial de 2010. Ela não quis comentar, no entanto, se este seria o momento certo para o lançamento de uma candidatura. "Agora, que ela soube aproveitar essas campanhas municipais, ela soube. Ela é uma menina que aprende rápido", afirmou a senadora.Para Ideli, ao fortalecer o nome de Dilma Rousseff, o PT marca posição perante os partidos da base aliada, especialmente o PMDB, que a seu ver "foi afoito" ao fechar questão sobre o nome do deputado Michel Temer (SP) para a Presidência da Câmara e também ao falar em candidatura própria para a Presidência da República em 2010.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda, com quem Lula tem laços antigos de amizade, foi na mesma linha do colega Tião Viana. Para ele, "na política não há momento nem existe um cronograma para se lançar candidaturas". Destacou que José Serra (PSDB) "é candidato à Presidência da República desde 2006, quando se elegeu governador de São Paulo. "Agora, uma candidatura não se faz pela vontade de seus apoiadores. É preciso, no momento adequado, fazer as avaliações", ressalvou Déda.Quanto a possíveis conseqüências na relação de Lula com os partidos da base, especialmente com o PMDB, Marcelo Déda é de opinião que a divulgação de uma preferência do presidente não afetará a aliança estabelecida. "É preciso separar as coisas. Uma coisa é a manutenção da governabilidade e do apoio institucional ao presidente. Se tivermos juntos, ótimo", destacou o governador quanto a uma eventual aliança entre as duas maiores legendas, o PMDB e o PT.

O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), pondera que este não é o melhor momento para se falar sobre sucessão presidencial. "Tem que deixar para mais adiante, isso precisa acontecer naturalmente", acrescentou. Ontem, o peemedebista afirmou que "o PMDB, como o maior partido do Brasil, tem sempre e vai sonhar com a candidatura própria à Presidência da República".Hoje, com mais prudência, ele preferiu não entrar no mérito das declarações do ministro da Justiça. "Não posso questionar, o Tarso tem o partido dele e eu sou do PMDB". Disse, no entanto, que ontem, no jantar dos peemedebistas como presidente Lula, no Palácio da Alvorada, Dilma Rousseff e Tarso Genro estavam presentes e o assunto foi discutido.

O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), é outro que não quer saber de sucessão neste momento. Para ele, o tema não cabe agora e só deveria ser tratado em 2009. "Acho que é prematuro estando ainda no segundo turno da eleição municipal e uma derrota de Marta Suplicy (candidata petista a prefeitura de São Paulo) pode significar uma grande perda para o PT", avalia o parlamentar.Castro ressaltou que a sucessão presidencial sequer foi conversada com os partidos da base aliada. "Pelo que eu sei, o ministro das Relações Institucionais é o José Múcio e não o Tarso Genro", afirmou. Para ele a preferência pela candidatura de Dilma Rousseff é mais do ministro Tarso Genro e do PT do que uma vontade de Lula.

A deputada Luciana Genro (P-SOL-RS), filha de Tarso Genro, ponderou que se o presidente Lula pretende fazer de Dilma Rousseff sua sucessora terá que "começar a campanha cedo". A seu ver, a ministra não é conhecida pela população suficientemente para emplacar em 2010 na Presidência da República. "A caminhada será árdua para fazer da Dilma uma figura popular. Ela nunca disputou eleição e é desconhecida", avalia.

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