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Defesa Civil recomenda interdição de casas após deslizamento em Mauá

Defesa Civil recomenda interdição de casas após deslizamento em Mauá

Atualizado: Quarta-feira, 5 Janeiro de 2011 as 2:54

A Defesa Civil de Mauá, no ABC, recomendou, após uma análise preliminar feita entre a noite desta terça-feira (4) e a madrugada desta quarta-feira (5), a interdição de 19 imóveis no entorno da casa que foi soterrada após um deslizamento de terra no Jardim Zaíra. Duas pessoas morreram – a dona da casa e seu filho, de 11 anos. O corpo da mulher só foi encontrado no início desta manhã.

O barranco desabou na noite desta terça. Dentro da casa estavam quatro pessoas – a mulher, os dois filhos e seu irmão. O rapaz de 23 anos e uma das crianças, uma menina de 13, foram resgatados com vida e tiveram apenas ferimentos leves.

De acordo com o capitão Eduardo Drigo da Silva, coordenador regional da Defesa Civil Estadual, os moradores das casas que tiveram sua interdição recomendada pela Defesa Civil de Mauá foram orientadas a deixar seus imóveis. Entretanto, a interdição definitiva só ocorrerá após uma vistoria de técnicos do Instituto de Geologia. “Esse número pode aumentar”, disse o capitão. Os técnicos já estavam no local por volta das 10h30 e o relatório final da vistoria deve ficar pronto nesta tarde.

Além da casa que foi totalmente soterrada, um imóvel vizinho foi parcialmente atingido pela terra – dois cômodos desabaram. Os donos do local – o casal Vera Márcia dos Santos, de 45 anos, e José Henrique Rita, de 42, ambos funcionários de escolas da cidade – haviam comprado a casa há um mês dos vizinhos. “Dei o que tinha para comprar isso aqui e ainda fiquei devendo. Nós não tínhamos casa, e só conseguimos comprar aqui”, disse Vera nesta manhã.

Nenhum dos dois estava em casa na hora do acidente – apesar de o deslizamento ter ocorrido em um horário em que Vera normalmente já retornou do trabalho. “Era para eu estar em casa, saio do trabalho normalmente às 16h, mas ontem troquei o horário e saí às 20h. Quando estava chegando encontrei os bombeiros já com o corpo do menino. Quando cheguei aqui estava tudo caído.”

Com uma roupa emprestada da irmã, já que não conseguiu entrar em casa, Vera aguardava orientações da Defesa Civil e da prefeitura sobre o que será feito. “Não consegui pegar roupa, documento, está tudo lá. Não tenho dinheiro para pagar aluguel, coloquei todo meu dinheiro na casa para não pagar mais aluguel.”

De acordo com famílias que vivem há muitos anos no local, esta foi a segunda vez que uma casa desabou na área.

Retirada de móveis

Além do local onde a casa foi soterrada, em pelo menos dois pontos próximos também houve deslizamentos de terra facilmente percebidos. Diversas pessoas da região retiravam seus pertences de casa nesta manhã, se antecipando a uma possível interdição ou outras quedas das encostas dos morros.

Era o caso da aposentada Maria José da Silva, de 62 anos, que passava pela rua na manhã desta quarta-feira carregando malas e mochilas com roupas e pertences pessoais. A casa dela não foi afetada, mas houve um deslizamento no lado oposto de sua rua – entortando o muro do imóvel que fica no local. “Se cair ali vai atingir a minha casa, não vou conseguir entrar e sair. Vou para a casa do meu filho, assim a gente evita maiores problemas”, contou ela.

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