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Defesa de ex quer que caso Mércia seja apreciado por Nazaré Paulista

Defesa de ex quer que caso Mércia seja apreciado por Nazaré Paulista

Atualizado: Sexta-feira, 23 Julho de 2010 as 8:06

A defesa do advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, ex-namorado e ex-sócio de Mércia Nakashima, apontado como principal suspeito pelo assassinato da advogada, quer que o caso seja apreciado pelo Ministério Público e pela Justiça de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, onde a vítima morreu. Atualmente, quem acompanha a investigação são um promotor e um juiz de Guarulhos, na Grande São Paulo, local de residência de Mércia, onde ela foi vista pela última vez, e da moradia dos suspeitos. Além de Mizael, o vigia Evandro Bezerra Silva, também foi indiciado por participação no crime.

A alegação dos advogados de Mizael, Samir Haddad Júnior e Ivon Ribeiro, é que a lei determina que todo homicídio deve ser analisado pela Promotoria e pela Justiça da cidade onde ele ocorreu. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Mércia morreu afogada na represa em Nazaré Paulista. “Quem deve julgar o caso é o juízo em Nazaré, onde Mércia foi morta, e não a Justiça em Guarulhos, onde ela desapareceu”, afirmou Haddad Júnior ao G1 . “Eu queria até que o caso ficasse em Guarulhos. Mas a lei é clara e a competência para julgar a morte dela tem de ser em Nazaré Paulista.”

Após desaparecer da casa dos avós, em Guarulhos, no dia 23 de maio, Mércia foi achada morta em 11 de junho em Nazaré Paulista. Um dia antes, o carro da vítima foi localizado submerso na represa.

Denúncia

Se quiser contestar isso e pedir que o caso seja transferido de Guarulhos para Nazaré, os advogados de Mizael poderão alegar exceção de incompetência da comarca da Grande São Paulo. A argumentação da defesa poderá ser feita após a denúncia do Ministério Público. O promotor Rodrigo Merli Antunes, que é de Guarulhos, já adiantou que irá acusar o ex e o vigia pelo crime à Justiça.

Haddad Júnior, no entanto, afirmou que prefere aguardar a denúncia e o posicionamento do juiz, provavelmente Leandro Bittencourt Cano, que volta de férias no início de agosto. “Acho que o próprio juiz vai perceber que o caso deverá ser levado para Nazaré”, disse o advogado de Mizael. “Se ele decidir manter o caso em Guarulhos, terei de analisar se caberá uma argumentação à Justiça contra a decisão ou não. Isso dependerá de vários fatores.”

Um desses “fatores”, citados pela defesa do ex de Mércia, será uma eventual decretação de prisão preventiva de Mizael. O delegado Antonio de Olim, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), já disse que, após a conclusão do inquérito, irá pedir que o suspeito fique preso até um provável julgamento.

Nesse jogo de estratégias entre defesa e acusação, o promotor Merli Antunes afirmou que irá fazer o possível para que o caso Mércia continue em Guarulhos.

“O Ministério Público entende que o caso começou aqui [em Guarulhos]. Isso é entendimento majoritário. Em crimes dolosos contra a vida, o cidadão precisa ser julgado por seus pares, seus semelhantes, onde o crime causou intranquilidade social. Apesar da repercussão nacional, ele causou intranquilidade na comunidade de Guarulhos. Essa é a finalidade do júri”, afirmou o promotor.

Dos dois suspeitos, o único que está preso é o vigia. Depois de ter a prisão temporária decretada e revogada, Mizael permanece em liberdade. Ambos negam o crime. Mesmo assim, o vigia chegou a declarar à polícia que havia sido o ex o responsável pela morte de Mércia por ciúmes e que ele ajudou o criminoso na fuga. Depois, o segurança voltou atrás da declaração. Disse que foi torturado para acusar o advogado e confessar a participação em um crime que não cometeu.

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