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Defesa de Pimenta Neves diz não saber se pedirá prisão domiciliar

Defesa de Pimenta Neves diz não saber se pedirá prisão domiciliar

Atualizado: Quarta-feira, 25 Maio de 2011 as 3:11

  A advogada do jornalista Antonio Pimenta Neves, condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato da ex-namorada Sandra Gomide, disse não saber se entrará com um pedido de prisão domiciliar para o seu cliente. Pimenta Neves se entregou à Polícia Civil na noite de terça-feira (24) após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu último recurso.

No início da tarde desta quarta (25), o jornalista deixou a cela do 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, na região central de São Paulo, e seguiu em direção a uma penitenciária em Tremembé, a 147 km de São Paulo.

Segundo a defensora Maria José da Costa Ferreira, Pimenta Neves, de 74 anos, sofre de hipertensão e tem graves problemas de próstata. “Eu não requeri nada. Eu primeiro preciso saber qual é a condição de saúde dele depois de tudo isso, o quanto piorou e, então, ele será submetido a exames para verificarmos a possibilidade ou não”, disse a advogada.

Pimenta Neves deixa delegacia de SP na tarde desta quarta-feira (Foto: Reprodução/TV Globo)

  Segundo Maria José, a legislação permite que, após o cumprimento de um sexto da pena, a defesa pode requerer o regime semiaberto. “Mas isso ainda está distante”, declarou.

A advogada afirmou que o seu cliente não conseguiu dormir durante a noite que passou na cela. “Queria fazer uma retificação sobre o que eu tinha dito sobre o distrito. Não exatamente esse distrito, mas todos os distritos de São Paulo não têm condição de abrigar nenhum preso definitivo. Apesar da humanidade dos funcionários e do grande esforço, é lamentável o lugar onde ele se encontra”, afirmou.

O delegado titular do 2º Distrito Policial negou que a cela não seja adequada. “A cela é uma cela de cadeia que não é, claro, o que ele deve estar acostumado, mas o tratamento é digno. Tanto é que eu perguntei para ele e ele disse que não tem nada para reclamar”, afirmou José Carlos Melo.

O jornalista, de acordo com o delegado, não recebeu um tratamento privilegiado. “Ele está sendo tratado como um preso comum. Apenas tendo em vista a gravidade e a repercussão do caso, para a segurança dele e para a nossa segurança e bom andamento do trabalho, eu entendi de colocá-lo em uma cela separada”, declarou o delegado.     Maria José disse que Pimenta Neves estava tranquilo “dentro da forma que é possível uma pessoa que esta nas condições dele”. Segundo ela, o jornalista apresenta sinais de arrependimento. “Ele matou a Sandra Gomide e destruiu a própria vida. Ele nunca mais efetuou nada na vida dele a não ser sofrer. Ele e toda a família, assim com a família da Sandra Gomide, que sofre com a perda da filha.”

A advogada disse estar consternada com a decisão da Justiça. “Lutamos durante anos para que esse júri fosse anulado. Infelizmente, não foi possível.”

Prisão

Depois de se entregar à polícia na noite desta terça-feira, na casa dele, na Zona Sul da capital paulista, o jornalista foi encaminhado à Divisão de Capturas, no Centro. Ele fez exame de corpo de delito e falou a jornalistas sobre o mandado de prisão expedido pelo juiz de Ibiúna, cidade onde matou a namorada há 11 anos. “Os recursos se esgotaram”, afirmou. Questionado como foi a chegada dos policiais à residência dele, o jornalista disse “tudo bem”. “Foram muito educados”, completou.

O crime foi em um haras em 2000. O recurso negado pelo STF foi o último de uma série usada pela defesa em todas as instâncias. Os advogados do jornalista conseguiram protelar a prisão e só agora, cinco anos depois da sentença, ele começar a cumprir a pena.          

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