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Déficit em transações correntes em julho é o maior para o período da série histórica do BC

Déficit em transações correntes em julho é o maior para o período da série histórica do BC

Atualizado: Segunda-feira, 23 Agosto de 2010 as 4:07

O déficit em transações correntes registrado em julho , de US$ 4,499 bilhões, foi o maior para o período da série histórica do Banco Central (BC) iniciada em 1947. O resultado negativo do acumulado até julho, de US$ 28,261 bilhões, também é o maior para o período. Em 12 meses encerrados em julho, o déficit em conta-corrente em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, ficou em 2,24%, o mais alto desde setembro de 2002 (2,57%).

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o resultado do mês passado superou a projeção do BC para o período (US$ 3,7 bilhões) porque o superávit comercial ficou “pior” do que o esperado. De acordo com Lopes, a atividade mais aquecida leva ao aumento das importações em ritmo mais forte do que o das exportações.

Lopes também explicou que o déficit em conta-corrente também é influenciado pelo aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior, que acumulou US$ 16,769 bilhões nos sete meses do ano, contra US$ 12,583 bilhões.

Outro fator que tem pesado nos resultados das transações correntes é o aumento das viagens de brasileiros ao exterior . “As despesas têm crescido em linha com o aumento da renda interna e também o câmbio mais favorecido”, disse Lopes. As despesas de estrangeiros no Brasil, por sua vez, “não tem uma evolução muito forte”. Segundo Lopes, isso acontece porque a crise externa reduziu a renda de estrangeiros.

O chefe do Departamento Econômico do BC também citou o aumento com gastos de aluguel de equipamentos, o que ocorre devido ao aumento de investimentos das empresas. De janeiro a julho, as despesas somaram US$ 7,276 bilhões (ante US$ 5,210 bilhões acumulado até julho do ano passado).

Para Lopes, o financiamento do déficit em transações correntes será feito por meio do investimento estrangeiro direto e empréstimos de médio e longo prazo. De acordo com Lopes, a expectativa é de aceleração dos investimentos estrangeiros no setor produtivo no final do ano, devido principalmente à exploração de petróleo na camada pré-sal. Lopes destacou ainda que o país deve receber investimentos voltados para o setor exportador o que gera aumento das vendas ao exterior e contribui para a redução do déficit em conta-corrente.

Para agosto, a projeção do BC para o déficit em transações correntes é de US$ 2,5 bilhões e para o investimento estrangeiro direto é de US$ 2,2 bilhões. Neste mês, até hoje (23), o BC registra US$ 1,7 bilhão desse tipo de investimento no país.

Postado por: Thatiane de Souza

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