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Delegacia de crimes de intolerância apura caso do jogador do Palmeiras

Delegacia de crimes de intolerância apura caso do jogador do Palmeiras

Atualizado: Quinta-feira, 13 Outubro de 2011 as 3:27

Uma delegacia especializada em apurar crimes de intolerância vai investigar o caso do jogador do Palmeiras João Vitor, envolvido numa briga com torcedores na noite de terça-feira (11) na loja oficial do clube, que fica em frente ao estádio, na Zona Oeste da capital paulista.

A instauração do inquérito policial, no entanto, ainda depende da representação das vítimas envolvidas na confusão para que o Ministério Público também apure o caso e ele seja transformado num processo. Até esta manhã, elas não haviam representado contra o autor. O prazo para que isso ocorra é de até seis meses. A Promotoria de São Paulo acompanha o caso, mas também aguarda as partes representarem para apurá-lo oficialmente. Futuramente será designado um promotor, segundo a assessoria de imprensa do MP.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) recebeu na manhã desta quinta-feira (13) um ofício do 23º Distrito Policial, em Perdizes, solicitando que ela assuma o caso e apure a suspeita de que pelo menos 15 integrantes da torcida organizada Mancha Alviverde também estão envolvidos na agressão ao volante palmeirense João Vitor, de 23 anos, seu cunhado Cristiano George de Oliveira Santos, de 23, e o amigo deles, Rafael Santos, de 25.   Cenas das agressões

Um cinegrafista amador gravou parte da confusão. As cenas mostram João Vitor, de camiseta amarela e bermuda, levando socos de dois homens com roupas verde e branca. Em seguida, o jogador se desvencilha dos agressores e aparece ao lado de outro homem, de camisa azul e bermuda branca, cercando uma pessoa com calça comprida. Esse homem é identificado como o torcedor palmeirense Wellington Oliveira Almeida, de 29 anos. Não há informação se ele pertence a alguma torcida organizada do Palmeiras.

No boletim de ocorrência registrado no 7º Distrito Policial, na Lapa, para apurar os crimes de lesão corporal e injúria, o torcedor, o atleta, seu parente e o colega deles aparecem como autores de vítimas da briga. Todos os envolvidos na confusão foram ao DP dar sua versão para o conflito, mas ninguém foi preso porque os crimes são considerados como de menor potencial ofensivo.

Segundo o depoimento de João Vitor, de seu cunhado e do amigo deles, foi Wellington quem começou a briga e eles apenas se defenderam. De acordo com o volante, o torcedor o xingou, chutou seu veículo e o agrediu. Em seguida, ele relatou que outros torcedores apareceram e também bateram nele, em seu parente e no colega deles. As agressões só pararam quando policiais militares intervieram.

O G1 teve acesso a uma cópia do boletim. Nela, João Vitor afirma que quando entrava em seu carro, Wellington se aproximou e disse que ele estava "andando de nave, mas jogar que que é bom nada". O atleta disse que nessa hora Wellington chutou o veículo, ele desceu e foi agredido verbalmente. Cristiano e Rafael também saíram do carro e, segundo o atleta, o ajudaram na hora em que Wellington, ajudado por outros torcedores, passou a agredi-lo. 

Pela versão de Wellington, foi o jogador, seu parente e o amigo que começaram a briga. Ele afirma que estava indo para a faculdade quando viu o carro importado do jogador em frente à loja do Palmeiras. Ele conta que perguntou ao jogador se estava satisfeito com seu desempenho e que recebeu uma ironia como resposta. Os dois homens que acompanhavam o jogador, diz Wellington, desceram do carro e partiram para cima dele, que recebeu ajuda de torcedores que passavam. "Apenas fiz cobranças perguntando se ele estava feliz da vida na sua nave, não sei como João interpretou isso", narrou o torcedor à polícia.

Investigação

Também foi requisitado exame de corpo de delito do Instituto Médico-Legal (IML) para os envolvidos na confusão.

O G1 não conseguiu localizar João Vitor nesta manhã para comentar o assunto. Ele ainda não falou com a imprensa a esse respeito. Ele saiu da delegacia onde o caso foi registrado sem falar com os jornalistas.

Na quarta (12), o advogado André Sica, do Palmeiras, comentou a briga envolvendo o atleta do clube. “De fato foram provocações e cobranças. E dessas cobranças decorreram alguns bate-bocas e troca de agressões, mas uma versão mais detalhada a gente deixa para um momento posterior”, disse Sica ao Globoesporte.com .

Ainda nesta manhã, o G1 telefonou para Wellington, que confirmou a briga e pediu para a reportagem ligar durante esta tarde para que ele pudesse falar do caso porque estava ocupado naquele momento.

O G1 não conseguiu localizar os representantes da Mancha Alviverde para falar sobre a suspeita de que integrantes da sua torcida podem estar envolvidos na briga com o jogador. A sede da organizada fica próxima a loja do clube, que fica no estádio do Parque Antarctica.

Policiais da Decradi vão analisar as cenas da confusão feitas pelo cinegrafista amador para tentar identificar e localizar os envolvidos na agressão e assim ter condições de saber qual foi a conduta de cada um deles. As imagens dos suspeitos serão comparadas com fotos de torcedores palmeirenses cadastrados no banco de dados da polícia. Somente após essa etapa é que será possível estabelecer quem começou a briga, quem é autor e quem é vítima. Investigadores também vão procurar saber se câmeras de segurança de imóveis vizinhos ao estádio registraram a briga.

Os envolvidos deverão ser chamados pela delegacia para se posicionarem sobre o episódio. Caso eles não representem, o caso poderá ser arquivado pela Decradi.          

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