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Delegacia quer levar caso de menino sumido em Suzano para o DHPP

Delegacia quer levar caso de menino sumido em Suzano para o DHPP

Atualizado: Quarta-feira, 13 Abril de 2011 as 1:44

A Delegacia Central de Suzano, na Grande São Paulo, quer que o caso Alan Patrick, que trata do desaparecimento do adolescente após abordagem da Polícia Militar em 11 de março deste ano, seja investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do estado. O estudante era suspeito de roubar uma moto.

A alegação dos delegados de Suzano é que eles estão seguindo a resolução 45 do secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo no dia 7 de abril. Ela determina que o departamento especializado apure ocorrências de resistência seguida de morte envolvendo policiais militares, policiais civis e integrantes da Guarda Civil Metropolitana na Grande São Paulo.

Apesar de Patrick ainda não ter sido localizado, quatro PMs estão presos no presídio militar na capital suspeitos de sumirem com o estudante de 17 anos. Testemunhas afirmaram em Suzano que viram os policiais atirarem no jovem, que fugia deles numa motocicleta. Investigadores acham bem provável que a vítima esteja morta. Em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar, os soldados negaram o crime.

Os delegados Jorge Luiz Neves Esteves e Daniel Barbosa Miragaia Cintra, respectivamente titular e assistente da Delegacia Central de Suzano, informaram nesta quarta-feira (13) que “vão representar ao Ministério Público e à Justiça pela remessa dos autos ao DHPP em cumprimento à resolução da SSP”.   Justiça

O pedido deverá ser entregue ainda nesta semana a um promotor e a um juiz de Suzano, que deverão se manifestar se são favoráveis ou não a levar o caso Alan Patrick para o departamento de homicídios na capital, que possui know-how em desvendar crimes emblemáticos. Além disso, o DHPP possui peritos integrados.

Os laudos de balística (para saber se os cartuchos encontrados num túnel foram disparados pelas armas dos PMs) e de DNA (que irá confrontar o sangue achado no mesmo local com material genético da mãe do desaparecido) ainda não ficaram prontos. Os exames são feitos pela perícia descentralizada da Delegacia Central de Suzano.

“À medida que o tempo passa, a possibilidade de encontrar Alan Patrick com vida é remota. Se estiver vivo, estaria sendo mantido em cativeiro. Enquanto a pessoa não aparece, mais se reforçam os indícios de morte e a participação dos PMs”, disse o delegado assistente Daniel Cintra ao G1 .

Caso a Justiça determine que a apuração em Suzano deva prosseguir pelo DHPP, baseada na resolução da Secretaria da Segurança, está será a primeira vez que o departamento investigará um caso de resistência seguida de morte envolvendo PMs com base na resolução antes mesmo de ela ter sido oficializada.

Quatro casos

Segundo o Departamento de Homicídios, até o momento, quatro casos similares são apurados, mas eles ocorreram após o decreto entrar em vigor, com a sua publicação em 7 de abril. Um ocorreu no sábado (9), dois na segunda-feira (11) e outro na terça (12).

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança, a resolução 45 não é retroativa, permitindo que o DHPP apure somente casos após o dia 7 de abril, quando houve a divulgação da decisão no Diário Oficial.

“Eu só queria que esses policiais militares falassem onde está meu menino, se está morto ou vivo. Nem que encontre o corpo dele para acabar essa angústia, meu Deus. Não importa o jeito”, afirmou a vendedora Jaqueline Rose Lago Soares, de 33 anos, mãe de Patrick.    

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