Delegado diz que houve 'exagero' de policial em reação a assalto em MS

Delegado diz que houve 'exagero' de policial em reação a assalto em MS

Atualizado: Terça-feira, 12 Julho de 2011 as 11:48

O delegado Valmir Moura Fé, responsável pelo caso da tentativa de assalto a um supermercado de Campo Grande que terminou na morte de duas pessoas na semana passada , afirmou nessa segunda-feira (11) que na noite do crime não houve tiroteio, e que todos os disparos partiram da arma do policial militar. "Pelas imagens e depoimentos, houve certo exagero na ação do policial. Mas vamos precisar das outras testemunhas para dizer com relação ao comportamento naquela ação de defesa", explica.

Em depoimento, o dono do estabelecimento, Manoel Carneiro de Souza, revelou que é ele quem aparece por duas vezes nas imagens da câmera de segurança, mexendo no corpo de Maikon, o assaltante morto com um tiro nas costas. "Ele alega que em dado momento, influenciado pelas pessoas, pegou o dinheiro subtraído que estava no bolso do assaltante. Posteriormente ele se arrependeu e foi advertido por outros policiais de que aquela conduta era errada. Aí ele mexeu no corpo novamente, mexendo no bolso do assaltante", afirma o delegado.   O empresário também disse para o delegado que o policial militar não trabalha como segurança no estabelecimento. "Ele é cliente do mercado e amigo do dono. Ele mora nas imediações, é vizinho, por isso a frequência dele ali", diz o advogado Almir Pereira Borges.

Também prestaram depoimento três funcionários, duas caixas, um repositor e o filho do dono do supermercado, que tem uma loja de presentes na mesma rua do comércio do pai. O inquérito completa sete dias nesta terça-feira (12) e tem 80 páginas. A investigação já passou pelas mãos de três delegados diferentes. "Não atrapalha porque é o procedimento. Como tinha um menor e um maior, teve de desmembrar. E como teve mortes de duas pessoas, então há a delegacia que vai apurar só as mortes", explica Moura Fé.

Está previsto para terça-feira (12) o interrogatório do adolescente envolvido na ação criminosa. O delegado também vai ouvir Edna Aparecida Silva, vizinha que teve o portão e a parede da casa atingidos por um disparo.

No final da noite de segunda-feira (11) a mãe de Maikon, o assaltante de 18 anos morto durante a tentativa de assalto, participou de diligências. Junto com o delegado e os investigadores do caso, ela refez o caminho que o filho teria feito na noite em que foi morto. "Ele deveria sim, dar uma voz de prisão, e dar um tiro na perna, como fez o outro. Sou a favor disso, mas matar pelas costas não, porque ele não estava armado", disse a mãe, que não quis ser identificada.          

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