DEM deve abrir processo para expulsar vice do DF

DEM deve abrir processo para expulsar vice do DF

Atualizado: Quarta-feira, 17 Fevereiro de 2010 as 12

O deputado federal e um dos vice-presidentes do DEM, Ônyx Lorenzoni (RS), disse nesta quarta-feira que a Executiva Nacional deve abrir o processo disciplinar contra o governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, para expulsá-lo do partido. Paulo Octávio teve seu nome citado nas denúncias de um esquema de propinas e pagamentos ilegais, conhecido como "mensalão do DEM".

A reunião está marcada para a próxima terça-feira (23). O parlamentar gaúcho defende o mesmo posicionamento tomado pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), e pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), os primeiros a defenderem a expulsão do vice-governador e dissolução do diretório regional do DF.

"Nos sentimos traídos por uma pessoa em que acreditávamos e apostávamos. Não tem jeito, tem que cortar na carne", afirmou Lorenzoni. Para o parlamentar, o senador Demóstenes Torres e o deputado Ronaldo Caiado estão corretos ao defenderem a abertura do processo contra Paulo Octávio.

Ônyx Lorenzoni afirmou que esse posicionamento deverá ser tomado também pelo líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN). Contudo, o deputado disse que, durante o Carnaval, não conversou com ninguém do DEM sobre a situação do partido no DF.

Ele afirmou ainda que, se aberto, o processo deve seguir o mesmo rito adotado contra o governador licenciado, José Roberto Arruda, que teve um prazo de oito dias para defender-se. Antes de encerrado o prazo, Arruda desfiliou-se do DEM.

O vice-presidente do DEM disse que "a situação se agrava na medida em que o partido não tem nenhuma razão para suportar um desgaste que não é nacional. É um problema restrito ao Distrito Federal". Na reunião da próxima terça-feira, o parlamentar vai posicionar-se também pela dissolução do diretório regional da capital da República.

Demóstenes Torres, por sua vez, reafirmou que defenderá na reunião da executiva a expulsão de Paulo Octávio, a dissolução do diretório regional do DF e a abertura de processos de cassação contra deputados distritais envolvidos nas denúncias de corrupção no governo Arruda. "Não adianta fugir do problema", disse.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

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