DEM questiona retirada de fala de líder do PMDB do site da Câmara

DEM questiona retirada de fala de líder do PMDB do site da Câmara

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 9:44

O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), cobrou explicações nesta terça-feira da Mesa Diretora pela retirada de parte do discurso do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), no site da Casa, que na semana passada prometeu "não votar mais nada" enquanto a reforma do Código Florestal não fosse analisada.

Na fala, Alves disse que o PMDB não analisaria nenhuma matéria. O trecho retirado dizia: "no dia que for, medida provisória 521, 522, 523, 524, cinco o que for... O PMDB não vota mais, enquanto essa questão do Código Florestal não for votada por esta Casa".

Foi mantido: "Entrando em obstrução, o PMDB, a minha bancada, assumo este ato em sinal de solidariedade e de confiança, mas digo ao governo: o PMDB não vota mais nada nessa Casa, seja o que for, enquanto não votar o Código".

A oposição usou o discurso de Alves, que controla a segunda maior bancada da Câmara e principal aliado do Planalto, para pressionar pela votação do código nesta semana. O Planalto só quer analisar medidas provisórias.

ACM Neto chegou a ligar para Alves, que acompanha o vice-presidente Michel Temer em uma viagem à Rússia, na tarde de hoje cobrando a manutenção da posição do PMDB de obstruir as votações até que a análise do código. Na conversa, segundo aliados, ACM Neto teria lembrado que Alves tem pretensões na Câmara, uma vez que ele é cotado para comandar a Casa.

"Foram retiradas expressões decisivas e determinantes. A mesa precisa apresentar esclarecimento imediata. Peço que isso não se repita mais", disse o líder do DEM.

Segundo a presidente em exercício da Câmara, Rose Freitas (PMDB-ES), a retirada de parte da fala do líder do PMDB ocorreu porque um taquígrafo na hora de revisar o trecho achou que seria dispensável. A deputada considerou "grave" a supressão do texto e pediu que o servidor apresente uma explicação por escrito formal.

O governo resiste a colocar o código em votação e quer analisar medidas provisórias, especialmente a 521, que traz novas regras para a licitação de obras para a Copa do Mundo e Olimpíada.

Após várias reuniões entre os líderes para a definição da pauta de votação da semana, não houve acordo. A expectativa é que nessa semana apenas uma medida provisória seja votada.

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