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Dengue: Bactéria pode ser arma contra a doença

Dengue: Bactéria pode ser arma contra a doença

Atualizado: Segunda-feira, 5 Janeiro de 2009 as 12

Pesquisadores observaram que expectativa de vida do Aedes aegypti foi reduzida em poucas semanas

Pesquisadores da Universidade de Queensland, em Brisbane, na Austrália, descobriram que os seres humanos podem se proteger da dengue adotando a estratégia de infectar o mosquito Aedes aegypti com uma bactéria. Esta pode reduzir a expectativa de vida do inseto e sua fertilidade.

Em artigo na revista Science, os cientistas afirmam ter descoberto que a bactéria, chamada de Wolbachia, se propaga com facilidade através de mosquitos criados em laboratório.

Além de reduzir a expectativa de vida dos insetos pela metade, o microorganismo pode ser transmitido de uma fêmea infectada para seus filhotes. Os machos infectados sofrerão alterações que fazem com que eles só produzam filhotes com fêmeas infectadas.

Os pesquisadores observaram que a infecção reduziu a expectativa de vida dos insetos em poucas semanas. A importância dessa constatação é que, depois que o mosquito adquire o vírus ao picar um animal ou ser humano infectado, há um período de incubação de uma a três semanas antes que ele possa retransmitir a infecção. Apenas os mosquitos que vivam mais tempo poderão oferecer risco aos seres humanos, mas provavelmente morrerão muito rápido, reduzindo sua habilidade de transmitir o vírus.

De acordo com os pesquisadores, o uso da bactéria seria um meio barato de erradicar o mosquito transmissor da dengue, sobretudo em áreas urbanas, onde os métodos de controle muitas vezes se mostram ineficazes.

Infestação por dengue é "mascarada", diz pesquisadora

Santa Cruz do Capibaribe, no agreste pernambucano, e Ipojuca, no litoral sul, municípios de cerca de 70 mil habitantes, têm em comum a forte presença do mosquito da dengue, o Aedes aegypti. Isso só foi descoberto depois que suas prefeituras implantaram, neste ano, um projeto-piloto que utiliza o Sistema de Monitoramento e Controle Populacional do Vetor da Dengue (SMCP-Aedes), desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco. Para a coordenadora do projeto, Leda Regis, pesquisadora do Departamento de Entomologia da Fiocruz-PE, o problema do vetor da dengue no País "é mascarado".

O SMCP revelou que 93% das residências de Ipojuca e 100% das de Santa Cruz do Capibaribe são também moradias do mosquito. Pela estratégia usada pelo Programa Nacional de Controle da Dengue, a pesquisa larvária - os agentes de saúde visitam as casas para procurar visualmente as larvas do mosquito -, esse porcentual não chegava a 5% em Ipojuca e a 12% em Santa Cruz do Capibaribe.

"Além de maior sensibilidade para detectar o inseto, o sistema indica a quantidade de mosquitos e aponta as áreas mais críticas onde há mais possibilidade de as pessoas serem infectadas pelo vírus", explica. Não há informação correta que ajude o gestor de saúde a enfrentar o problema.

O projeto-piloto, parceria da Fiocruz com o governo do Estado, avalia custos e viabilidade do SMCP. A estimativa é de que em um ano e meio será possível concluir uma avaliação consistente da nova estratégia, que poderá então ser estendida a outros municípios.

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