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Deputado quer apurar se há excesso na abordagem do Exército no Alemão

Deputado quer apurar se há excesso na abordagem do Exército no Alemão

Atualizado: Sexta-feira, 9 Setembro de 2011 as 2:43

O deputado Zaqueu conversa com um militar na

estação Palmeiras do teleférico

(Foto: Lilian Quaino/G1)

  O deputado Zaqueu Teixeira (PT), líder da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio, disse, na tarde desta sexta-feira (9), que vai mandar ofício para o Exército e para a Secretaria de Segurança do estado. Ele vai pedir cópias dos autos de prisão em flagrante por desacato relativos ao Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio.

O deputado quer verificar se há excesso na maneira como os militares da Força de Pacificação abordam os moradores nas comunidades.

Segundo ele, baseado em relato de moradores, haveria um número elevado de ocorrências em que o Exército considera que a população está desacatando os militares. Para o deputado, a Força de Pacificação pode estar abordando as pessoas de modo inadequado, devido ao treinamento de muita disciplina e respeito à hierarquia.

Na quarta-feira (7), o major Marcus Bouças, oficial de comunicação da Força de Pacificação informou que quatro militares envolvidos no tumulto com moradores no domingo (4), deixaram o patrulhamento na comunidade. De acordo com Bouças, a decisão foi tomada porque os militares vão responder a um inquérito policial militar, que será analisado por um capitão da Vila Militar, em Deodoro, no subúrbio do Rio. Na ocasião, três pessoas foram detidas e uma mulher ficou ferida por bala de borracha.

"Queremos deixar bem claro que não é um castigo, mas como o Alemão fica muito longe da Vila Militar, decidimos que devido à distância, é bem melhor que eles [militares] permaneçam em Deodoro até a conclusão do inquérito", explicou o major.

O deputado visitou, nesta sexta-feira (9), comunidades da região para saber dos moradores a opinião sobre a presença do Exército na comunidade. A visita começou na estação Palmeiras do teleférico, onde conversou com um dos militares da Força de Pacificação.

O morador Zaqueu Nunes da Silva abordou o deputado dizendo que "do jeito que está, o Exército não vai conquistar ninguém. Tem abuso de autoridade. Tudo aqui que a gente faz é considerado desacato".

Deputado Zaqueu e Maria Portuguesa. Para ela,

tudo está ótimo. (Foto: Lilian Quaino/G1)

  Segundo moradores que não quiseram se identificar, a visita foi acompanhada por militares armados de fuzis, que filmavam as conversas.

Na Rua do Cruzeiro, o deputado conversou com Maria Américo dos Santos, a Maria Portuguesa, de 81 anos, que tem um pequeno bazar onde vende balas e roupas usadas. Ela disse que com o Exército tudo melhorou.

Agnaldo Pereira, dono de um mercado, falou apenas que leva "a vida de acordo, então, está tudo direitinho".

Mas o cabeleireiro Vanderval Santos de Jesus reclamou do que chamou de "truculência dos militares". Para ele, falta diálogo.

'Luz amarela acesa'

O deputado disse na manhã desta sexta que não sabia que os morros da Baiana e do Adeus, próximos ao Alemão, não estavam incluídos na área de atuação das Forças de Pacificação do Exército. Para ele, isso foi uma surpresa que, junto com os recentes conflitos no Alemão, "fizeram acender uma luz amarela".

O deputado visitou de manhã a base da Força de Pacificação do Exército no Alemão para "buscar detalhamentos" sobre as atividades. "Deixar de fora Baiana e Adeus nos fez ter essa atenção especial porque não pode haver pontos vulneráveis. Na minha concepção, esses morros fazem parte do Complexo do Alemão", disse.

Na quarta-feira, o Comando Militar do Leste revelou que os tiros que atingiram o Morro do Alemão partiram das comunidades da Baiana e do Adeus.

O deputado anunciou que a cada 15 dias visitará uma UPP, começando pelo Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul.

Tiros no Alemão partiram de fora, diz Exército

Na quarta-feira (7), o general Adriano Pereira Junior, do Comando Militar do Leste, disse que tiros na noite de terça-feira (6) não foram disparados de dentro da área de atuação da Força de Pacificação . "Alemão e Penha não têm armas pesadas. Os tiros vieram do Morro do Adeus e da Baiana", afirmou o general sobre os morros que passaram a ser ocupados pela Polícia Militar.              

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