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Desastres naturais marcam seis primeiros meses de 2010

Desastres naturais marcam seis primeiros meses de 2010

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 9:19

Três terremotos de grandes proporções, dezenas de alagamentos e deslizamentos e uma erupção vulcânica que parou todo o tráfego aéreo da Europa. A lista de desastres naturais de 2010 é grande. O G1 relacionou alguns desses eventos ocorridos nos últimos seis meses e conversou com um especialista que acredita que é possível evitar mais perdas no futuro.

No Brasil, o ano de 2010 começou com uma tragédia logo no réveillon. Na virada do ano, choveu o equivalente a todo um mês em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, o que resultou em dois deslizamentos de grandes proporções e mais de 50 mortos.

A chuva continuou forte no Sudeste - na cidade de São Paulo, ela não deu trégua por 47 dias seguidos entre janeiro e fevereiro; no Rio de Janeiro, em abril, causou a morte de 66 pessoas na capital e mais de 140 na vizinha Niterói. Cidades entraram em esquema de emergência na Bahia, em Santa Catarina e agora, em junho, em Alagoas e Pernambuco - onde os mortos já chegaram a 57.

No exterior, o primeiro semestre também teve muitos desastres naturais. Em 12 de janeiro, um terremoto de 7 graus de magnitude colocou abaixo Porto Príncipe, capital do Haiti, o país mais pobre das Américas. Mais de 200 mil pessoas morreram - entre eles, a missionária brasileira Zilda Arns e o chefe civil da missão de paz da ONU no país, o também brasileiro Luiz Carlos da Costa .

No mês seguinte, outro grande abalo sísmico: em Santiago, no Chile - seguido por outro, em abril, no Tibete.

Em abril, na Islândia, um vulcão entrou em erupção, algo que não é incomum no país, mas, desta vez, com efeito inédito: travar o tráfego aéreo da Europa, forçando o cancelamento de 20 mil voos em todo o mundo.

Previsão

Seria possível evitar as perdas de vidas e os estragos desses eventos? Para o engenheiro paranaense Fábio Teodoro de Souza, sim. Em sua tese de doutorado apresentada há quase seis anos, Souza afirma que é possível prever deslizamentos de terra e terremotos, desde que dados registrados e disponíveis sejam usados com mais sabedoria. Para tentar provar seu ponto de vista, ele está fazendo seu pós-doutorado na China, país que investe pesado em estudos sobre previsão de sismos.

A proposta de Souza é que modelos computacionais que associam dados históricos de deslizamentos, índices pluviométricos e características do solo podem indicar a probabilidade de que os fenômenos se repitam diante da recorrência de determinadas condições.

A metodologia é baseada em ''mineração de dados'' (ou ''data mining'', em inglês), a exploração de grandes quantidades de variáveis em busca de padrões consistentes.

''Com uma rede bastante densa de pluviômetros e estações meteorológicas, esses modelos poderiam ser usados para indicar não somente riscos de deslizamentos, mas também de enchentes, descargas elétricas e quaisquer outras catástrofes induzidas por fenômenos meteorológicos'', explicou Souza ao G1.

''Quando acabei o doutorado, imprimi mais de 30 cópias e entreguei para órgãos de governo'', conta Souza. ''Mas ficou nisso, não passou do 'depois a gente se fala'. Não houve interesse de implementação''.

Terremotos

No caso da previsão de terremotos, o debate se arrasta há anos e reacende toda vez que há um sismo. Ainda que haja algum grau de conhecimento sobre a iminência de tremores, falta cacife para disparar ordens de grandes evacuações que, no fim das contas,  revelem-se desnecessárias.

''Frequentemente se faz a pergunta errada aos cientistas, que é ''quando será o próximo grande terremoto?'', reclama Barry Parsons, do departamento de ciências da terra da Universidade de Oxford. ''A pergunta correta é 'como podemos garantir que o terremoto não mate tantas pessoas quando acontecer?'. A forma provada e efetiva de proteger populações é impondo rígidos padrões de construção civil''.

Suas ponderações foram publicadas na edição mais recente da revista ''Nature'', em artigo discutindo um inusitado desdobramento do terremoto que arrasou L'Aquila, na Itália, em abril de 2009: meia dúzia dos mais renomados sismólogos italianos estão sendo acusados de homicídio culposo (sem intenção de matar) por não terem alertado governo e população a tempo sobre a tragédia.

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