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Descontente na coalizão de Dilma, PMDB pressiona por mais espaço

Descontente na coalizão de Dilma, PMDB pressiona por mais espaço

Atualizado: Quarta-feira, 5 Janeiro de 2011 as 9:54

O descontentamento do PMDB com o espaço que tem na coalizão do governo de Dilma Rousseff não está restrito às nomeações do segundo escalão. Os peemedebistas reclamam que não são chamados a discutir o planejamento para o país e ainda ficam com a pecha de fisiologistas, como confirmou um peemedebista que preferiu não ser identificado.

- O PMDB vai estar afinado com o governo, se o governo estiver afinado com o PMDB. Se o PMDB não tiver o tratamento que merece pode haver ruído.

O que, até meados de dezembro, era uma troca de lamentações entre os peemedebistas, que nos corredores demonstravam descontentamento com a perda de orçamento e espaço na Esplanada dos Ministérios, agora virou pressão política explícita.

O líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), saiu de um almoço entre peemedebistas nesta terça-feira (4) dizendo que a bancada ainda precisa ser convencida pela equipe econômica que o salário mínimo de R$ 540, como definiu o governo, é o melhor para os trabalhadores do país.

Em conversa com jornalistas em seu gabinete, Alves disse que o debate sobre o valor do salário mínimo promete ser explosivo na Câmara e, por isso, a equipe econômica precisa explicar aos aliados, por que tomou a decisão de dar o reajuste no limite do acordo com as centrais sindicais, sem ouvir os partidos que compõem a coalizão.

- A votação do salário mínimo vai ser um bom teste (para a presidente). Não de força, mas de convencimento.

Na tarde desta terça, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que qualquer tentativa no Congresso de elevar o valor do salário mínimo este ano para patamar superior a R$ 540 será vetada pela presidente Dilma Rousseff.

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), considera legítima a preocupação do PMDB com o reajuste do salário mínimo, mas disse que não lembra de nenhuma oportunidade em que a bancada peemedebista tenha debatido o tema com o governo.

- Não vamos explorar esse debate pela ótica imediatista. Queremos debater sob a ótica da recuperação do poder de compra do salário mínimo e pela ótica macroeconômica.

A portas fechadas, lideranças peemedebistas apresentam uma extensa lista de reclamações: não entendem como a reunião de coordenação de governo pode ter apenas ministros petistas participando e argumentam que o vice-presidente Michel Temer só está ali por um caráter institucional; não aceitam ser taxado de partido "guloso por cargos", quando o PT tem 17 ministérios e eles seis; reivindicam a participação nas discussões de programas e soluções econômicas do governo; e reclamam que PT e PSB estão fazendo nomeações de segunda escalão em vagas que eram ocupadas pelo PMDB e outros partidos sem consultar os demais aliados.

O líder Henrique Eduardo Alves resumiu a situação em uma frase: "o PMDB agora é mais governo do que era com Lula".

Disputa na Câmara

Aparentemente, o descontentamento do PMDB não atrapalha a aliança com o PT para eleger o deputado Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Câmara. Segundo Alves, esse acordo não está em questão.

Até porque, o acordo entre PT e PMDB prevê que em 2013 um peemedebista receberá apoio do PT para presidir a Casa. Maia disse que não acredita que as decisões do Executivo em relação a nomeações do segundo escalão possam ter repercussão na eleição da mesa da Câmara.

Contudo, por via das dúvidas, afirmou que é natural um partido aliado desde a eleição ter espaço no novo governo.

- É legítimo que todos os partidos que participaram da campanha tenham espaço no governo.

Sinal amarelo

Durante a terça-feira, o líder do PMDB se reuniu com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e conversou por telefone com o chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, e com o vice-presidente Michel Temer.

Depois das conversas, Alves disse que o clima entre PT e PMDB estava mais tranquilo e comentou que "há males que vem para o bem".

- Esse foi um sinal amarelo que serviu de alerta para que não aconteça de novo, inclusive com outros partidos da coalizão.

Segundo ele, ficou acertado que a partir de março as reuniões do conselho político da coalizão, fórum criado no governo Lula para reunir os partidos aliados e resolver crises políticas e fazer negociações prévias de projetos que serão levados ao Congresso, serão reativadas. Com isso, Alves acredita que os aliados poderão se sentir mais representados.

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